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Repugnante, insensível, um ode à vaidade de Donald Trump. Qualquer ser humano minimamente informado sobre o horror da guerra no Oriente Médio sentiria asco ao assistir ao vídeo postado pelo presidente dos Estados Unidos em sua rede social, Truth Social.
Tudo de pior que você imaginou quando Trump trouxe a público a ideia terrível de transformar a Faixa de Gaza em um resort, com direito à deslocamento da população palestina — o que é um crime de guerra — está materializado no vídeo. Aliás, é um exemplo perfeito de mau gosto, de como usar a inteligência artificial para o pior.
O vídeo começa com a imagem de uma criança agachada em meio a escombros, com homens armados que parecem consolar o menino. Um título com as cores da bandeira americana aparece: "O que vem depois".
Ema espécie de túnel, descortina-se arranha-céus, andaimes e construções, seguidas de uma praia com palmeiras. Corta para ruas e horizontes que lembram Miami Beach, Malibu e Dubai.
Calma aí, que tem mais: Elon Musk, o dono da Tesla e todo-poderoso assessor de Trump, aparece relaxado saboreando algo. Na sequência, dinheiro cai do céu em meio a crianças que tentam pegar as notas na praia. Trump aparece em uma espreguiçadeira na beira da piscina ao lado de Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelense. Os dois estão sem camisa. Há uma criança com um balão dourado no formato da cabeça de Trump e, claro, uma Trump Tower (o prédio se chama Trump Gaza) no centro de tudo. Homens e mulheres dançam na areia vestidos de odaliscas. Seria apenas brega se não estivéssemos falando de uma tragédia: mas há até uma estátua gigante de Trump no meio de uma rua.
Faltam adjetivos para classificar algo tão grotesco. Diante dessa incapacidade, deixo aos leitores um dado: em Gaza, que Trump quer transformar em uma riviera sobre o cemitério, morreram 48 mil palestinos desde o início da guerra provocada pelos terroristas do Hamas, em 7 de outubro de 2023, no ato terrível da invasão que levou à morte de 1,4 mil israelenses e sequestro de mais de 250.