
Não é surpresa para ninguém que as ações do ex-presidente Jair Bolsonaro foram influenciadas pela agenda construída por Steve Bannon e a alt-right americana que elegeram Donald Trump em 2016.
Está tudo conectado. Do início ao fim.
Também por isso não causa surpresa o fato de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter virado alvo, nesta quarta-feira (19), de processo judicial nos Estados Unidos por suposta violação da soberania americana — exatamente no momento em que a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) é apresentada ao Supremo Tribunal Federal contra o ex-presidente e de outra 32 pessoas por participação no plano golpista.
Qual o problema dos americanos: Moraes determinou que a plataforma Rumble remova contas na internet de influenciadores da direita brasileira. A empresa é parceira na ação da Trump Media & Technology Group, comandada pelo presidente Donald Trump.
No frigir dos ovos, o que a empresa alega é que Moraes infringiu a 1ª Emenda da Constituição dos EUA, que versa sobre liberdade de expressão. O CEO da rede social, o canadense Chris Pavloviski, diz que não cumprirá as decisões do ministro.
Vale lembrar que a Trump Media, que administra a Truth Social, utilizada pelo próprio presidente, uma vez que ele está com sua conta suspensa no X (ex-Twitter), não foi diretamente atingida pela decisão de Moraes. No entanto, a empresa afirma depender da tecnologia da plataforma — e, por tabela, seria prejudicada.
O Rumble se diz imune ao cancelamento e reúne perfis, como de Allan dos Santos, que foram bloqueados em outras plataformas por determinações da Justiça brasileira.