
A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (2) não é apenas mais um levantamento que comprova a queda de popularidade do governo Lula. O resultado é um banho de água fria nas expectativas do Planalto, que esperava o oposto após adotar uma série de políticas públicas nas últimas semanas.
Lula tem dito a ministros desde o final do ano passado que as pesquisas não devem levar pânico ao governo porque 2025 é um ano de colheita, ou seja, de entregas de projetos que começaram a ser implementados nos dois primeiros anos de seu mandato.
Nos últimos dias, auxiliares do petista diziam em reservado que a crise do início do ano havia sido vencida, e que esperavam aos poucos estancar a percepção negativa da população sobre os rumos da administração federal.
Além do crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, a expectativa do Planalto era melhorar a avaliação com outros programas públicos, como o envio de um projeto ao Congresso isentando de Imposto de Renda (IR) os salários de até R$ 5 mil. Embora só tenha previsão de entrar em vigor em 2026, a medida foi badalada pelo governo com objetivo de mobilizar a opinião pública.
O governo também isentou de taxas de importação uma lista de alimentos, começou a verificar queda nos preços de vários produtos pela entrada da nova safra, consolidou políticas sociais, como o Pé-de-Meia, que paga uma bolsa a estudantes de baixa renda do Ensino Médio. Até agora, no entanto, nada parece ter surtido efeito.
As cartas na manga estão chegando ao fim. Com orçamento apertado e pouca disposição do Congresso em ampliar o rombo fiscal, ficam cada vez mais escassas as alternativas que possam impulsionar a avaliação positiva do governo.