
O juiz gaúcho Moysés Antunes Vianna é considerado um mártir da Justiça Eleitoral no Brasil. Em 24 de maio de 1936, foi assassinado durante a eleição suplementar para prefeito de Santiago do Boqueirão, na Região Central. Ele tentava impedir um eleitor de colocar dois votos na urna.
Na eleição de 10 de maio, duas semanas antes do crime, a oposição denunciou fraude dos apoiadores do prefeito José Ernesto Muller, que tentava a reeleição. O Tribunal Regional Eleitoral julgou nula a votação no distrito de Vila Flores. O juiz Vianna ficou encarregado de acompanhar e garantir a segurança da nova votação naquela comunidade.
Por volta das 19h, quando os últimos votavam, ocorreu grande confusão e tiroteio. O juiz impediu que o eleitor Podalírio da Luz colocasse duas cartas de voto para anular novamente o pleito no distrito, o que resultaria na reeleição do prefeito. No tumulto, Vianna, aos 39 anos, morreu baleado no peito.
— O juiz tapou o buraco da urna e impediu a votação. Tentaram tirar a urna com os votos. Ele se abraçou à urna e foi baleado — conta o professor e historiador Guilherme Bertazzo.
De acordo com o resgate do Memorial da Justiça Eleitoral Ministro Teori Albino Zavascki, aproximadamente 100 testemunhas foram ouvidas na investigação. O atirador Thomaz Nunes de Castro, vulgo Tamares, foi condenado a 15 anos de prisão. Ele cumpriu sete anos da pena na cadeia. Em setembro de 1943, ganhou a liberdade. Podalírio da Luz, o eleitor dos dois votos, acabou inocentado.

Lacrada, a urna chegou a Porto Alegre para a contagem dos votos. O eleito foi Sylvio Ferreira Aquino, da Frente Única, candidato da oposição. O Partido Republicano Liberal, do prefeito derrotado, tentou anular as eleições suplementares, mas o Tribunal Superior Eleitoral negou o pedido.
O juiz eleitoral morto é homenageado com o nome da praça central da cidade de Santiago, a Praça Moisés Viana. O Tribunal Regional Eleitoral instituiu a Medalha Moysés Vianna para cidadãos de destaque na área do Direito Eleitoral e aperfeiçoamento da Justiça Eleitoral.