
Uma quarta-feira que seria de alegria ficou marcada por uma tragédia em 1981. A varejista J.H. Santos inaugurava filial em Concórdia, a primeira em Santa Catarina. Na tarde de 23 de setembro, dois aviões partiram de Florianópolis e Porto Alegre, transportando o diretor-presidente da rede gaúcha e convidados. Em um raro episódio da aviação, acidentes com os dois táxis-aéreos, na mesma região e com menos de uma hora de diferença, causaram 10 mortes.
O avião Piper Navajo, prefixo PT-JYG, partiu do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, com dois tripulantes e cinco passageiros. O comandante era o experiente piloto Ercílio Caleffi, auxiliado por Marilda Zaidem Mesquita, mulher pioneira na aviação nacional. A viagem foi tranquila até a aproximação de Concórdia.
Mesmo com nuvens baixas, o comandante sobrevoou a cidade. Ele queria pousar no aeródromo de Concórdia, que estava fechado por causa das condições desfavoráveis para a operação visual. O bimotor explodiu após colidir no Morro Santa Cruz, às 17h17. Morreram cinco ocupantes: os dois tripulantes; o diretor-presidente da rede de lojas, Fábio Araújo Santos; o publicitário Adão Juvenal de Souza; e o secretário da Indústria e Comércio do RS, Antônio Carlos Berta.

Na parte traseira do avião, sobreviveram os passageiros José Carlos da Silva Reis, chefe do departamento de Recursos Humanos da J.H. Santos, e Almeida de Oliveira, , funcionário da Balanças Ferrando. No hospital, Reis contou que a cidade de Concórdia "parecia uma clareira em meio às nuvens". No local da colisão, no topo do morro, um morador relatou que "não enxergavam quase nada" no momento do socorro.
Em relatório da investigação, a Aeronáutica apontou que pilotos tentaram localizar o aeródromo "forçando o voo visual". O acidente foi causado pelo somatório "das condições meteorológicas, da inobservância de normas operacionais e da não utilização das facilidades de comunicações".
Em outra rota, saindo de Florianópolis, um avião do mesmo modelo tentou pousar duas vezes em Concórdia. O Piper Navajo, PT-EEQ, arremeteu e seguiu em direção a Chapecó. Ele bateu, por volta das 18h10, em um morro da Linha Gramadinho, em Seara. O segundo acidente ocorreu a aproximadamente 50 quilômetros do primeiro.
Morreram os cinco ocupantes: piloto Ari Roberto Keller; copiloto Rubens; Félix Araújo Santos, irmão de Fábio; secretário da Indústria e Comércio de SC, Hans Dieter Schmidt; e presidente da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis, Lédio João Martins.
Em relatório, a Aeronáutica cogitou que o PT-EEQ não recolheu os trens de pouso após arremeter em Concórdia, o que atrasou a viagem e pode ter confundindo os pilotos sobre a aproximação do aeroporto de Chapecó.
Os acidentes deixaram em luto os dois estados. A J.H. Santos fechou as 59 lojas da rede no dia seguinte. Os dois acidentes geraram debate sobre os voos em condições climáticas adversas. Em nota publicada na época, o Sindicato Nacional dos Aeronautas citou que o aeródromo de Concórdia oferecia "total segurança desde que observados os limites operacionais e as normas técnicas". A empresa Rio-Sul, por exemplo, não pousou na cidade catarinense naquele dia devido às condições inadequadas.