
Com a retração de vendas no retrovisor, o setor brasileiro de máquinas agrícolas começou o ano de 2025 "rodando". É o que mostram os dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) divulgados nesta quarta-feira (2).
Nos dois primeiros meses calculados até o momento, as vendas de máquinas e implementos agrícolas no país resultaram em uma receita de R$ 9,4 bilhões para a indústria. A alta é de quase 20% se comparado com o mesmo período do ano passado.
A base de comparação, no entanto, é baixa, lembra o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, Pedro Estevão Bastos. Em 2024, o setor fechou com uma redução de 20% no faturamento.
— No ano passado, estávamos vivendo uma seca muito grande no Brasil (no Sul e no Centro-Oeste). O produtor não sabia se ia colher. Não tinha como comprar máquina — contextualiza o dirigente.
Ainda assim, reconhece Bastos, o desempenho "é positivo":
— Estamos há quatro meses com faturamento em crescimento. O setor vive uma normalidade na safra, o que reverte em compra de máquinas.
Para o ano, a Abimaq projeta um crescimento de 8% no faturamento, frente a uma queda de 20% em 2024.
A realidade gaúcha
No Rio Grande do Sul, que, diferente do resto do país, foi mais uma vez foi afetado pela falta de chuva neste ano, "as vendas estão fracas novamente", informou Claudio Bier, presidente doSindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers). Para driblar a realidade estadual, o setor tem redirecionado uma parcela maior do maquinário que já é comercializado para outros Estados. Afinal, culturas como o algodão e o café estão "muito rentáveis neste ano".
Atualmente, 65% das máquinas fabricadas no Brasil são produzidas no Estado. Desta porcentagem, 90% é comercializado para o resto do país.