
Depois de uma redução expressiva por conta da chuva, a safra de noz pecan do Rio Grande do Sul deste ano sinaliza uma recuperação de parte do volume perdido — mesmo com os efeitos da estiagem. É com essa perspectiva que se chega à Abertura Oficial da Colheita, no próximo dia 11, em uma propriedade de Glorinha. A projeção do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (Ibpecan) é de que a produção fique entre 4,5 mil e 5 mil toneladas. O volume é um pouco abaixo do potencial esperado, de 7 mil toneladas, mas acima do resultado de 2024.
— Há menos de um ano, estávamos juntando os cacos no Rio Grande do Sul. A nogueira sofreu bastante na safra do ano passado. Neste ano, foi melhor — avaliou Karion Minussi, da Nozes Glorinham, propriedade onde ocorre a cerimônia simbólica.
O presidente do IbePecan, Claiton Wallauer, explica que, no geral, a noz pecan precisa de bastante água no período entre janeiro e fevereiro — bem quando o tempo estava seco neste ano. Isso é o que faz a estimativa baixar em relação ao início do ciclo. Ainda assim, um resultado superior ao do ano passado, quando a produção encolheu 80% em razão da catástrofe climática, que aconteceu bem no período de colheita.
— Era um ano de alternância natural do planta e culminou com a tragédia — explica Wallauer.
Antes disso, na primavera do 2023, o excesso de umidade já tinha dado as caras, afetando a polinização.
Uma das formas de se reduzir os impactos do tempo, a irrigação tem sido incentivada também na produção de nogueiras — hoje, a estimativa é de que 5% da área cultivada conte com o sistema de gotejamento.
— Não tem mais espaço para não ter 10%, 20% da área irrigada — acrescentou Clair Kuhn, secretário estadual de Agricultura.
Ele lembrou que o programa de irrigação do Estado, com subsídio de 20% (limitado a R$ 100 mil), tem despertado o interesse de produtores de frutas. Dos 745 projetos encaminhados, 16% são para a fruticultura.
O Rio Grande do Sul é o maior produtor entre os Estados brasileiros de noz pecan, com 90% do total colhido no país. São sete mil hectares cultivados no território gaúcho, dos quais 5,5 mil em produção. E cerca de 1,6 mil famílias envolvidas no cultivo.