O Brasil alcançou em 2024 sua pior posição no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), ranking anual elaborado pela Transparência Internacional, organização não governamental sediada em Berlim, na Alemanha. No relatório recentemente divulgado, o país ocupa a 107ª posição entre 180 nações avaliadas, evidenciando que o combate à corrupção ainda é um desafio longe de ser superado.
O IPC utiliza uma escala de 0 a 100 para medir a integridade e a transparência existente no setor público de cada país. Quanto maior a pontuação, menor a percepção negativa. No topo do ranking, Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia alcançaram médias acima de 85. Já o Brasil recebeu nota 34, ao lado de Argélia, Malauí, Nepal, Níger, Tailândia e Turquia.
Entre os motivos do rebaixamento da pontuação brasileira, estão fatores como o silêncio de Lula sobre a pauta anticorrupção, a retomada da influência de empresários que confessaram falcatruas e permanecem impunes, a anulação de processos da Lava Jato pelo ministro Dias Toffoli, a aprovação da PEC da Anistia para favorecer partidos políticos e o descontrole envolvendo as emendas parlamentares, entre outros pontos.
Logo após a divulgação do ranking, a Controladoria-Geral da União (CGU) emitiu uma nota em que critica a metodologia do IPC, alegando que ele mede apenas um sentimento e não a ocorrência real do problema. Afirma ainda que o índice se baseia em pesquisas com grupos específicos, como empresários, e não representa o entendimento geral da população.
O argumento demonstra falta de sintonia com a realidade nacional, já que a corrupção é reiteradamente apontada em pesquisas de opinião como um dos principais problemas do país. Prova disso é o levantamento feito pelo Poder Data entre os dias 25 e 27 de janeiro desse ano, em que 45% dos entrevistados disseram que a corrupção aumentou no atual governo contra apenas 24% dos que acreditam que a prática diminuiu e 23% de quem acha que ficou tudo igual. Os 8% restantes não souberam opinar.
Leis anticorrupção, autonomia para órgãos de controle e o fortalecimento das instituições públicas são medidas capazes de melhorar o quadro grave relevado pela Transparência Internacional. No entanto, a implementação dessas mudanças esbarra na resistência de setores que se beneficiam da atual estrutura, a começar pelo Congresso Nacional, onde a insistência com as emendas sem destino definido é um duro golpe na luta por transparência no ambiente político. Pelo que, não é necessário bola de cristal para prever uma nova posição constrangedora para o Brasil no próximo IPC.