
A Polícia Civil identificou, até o momento, 77 vítimas de homem que foi preso por armazenamento de conteúdo de exploração sexual infantil e estupro de vulnerável. O suspeito, de 36 anos, foi preso em flagrante em 21 de janeiro, em Taquara, no Vale do Paranhana.
Ele teve duas prisões preventivas decretadas e segue detido na Penitenciária Estadual de Sapucaia do Sul. Outros dois pedidos de prisão preventiva seguem em análise na Justiça.
Segundo o delegado Valeriano Garcia Neto, que investiga o caso, o homem se passava por uma menina em perfis falsos nas redes sociais e coagia crianças e adolescentes para que lhe enviassem imagens com teor sexual. A prática configura o crime de estupro de vulnerável no ambiente virtual.
Em um dos casos, o homem chegou a abusar sexualmente de uma adolescente de 13 anos, a quem ele acompanhava pelas redes sociais desde os oito anos. Ele filmou o abuso e o arquivo foi localizado em seus dispositivos eletrônicos, que passaram por análise do Instituto-Geral de Perícias (IGP).
— Ele disse para a adolescente: "agora tu estás no ponto que eu quero" e passou a exigir um encontro pessoal com ela. Ele manteve relação sexual com ela em duas ocasiões. Ele filmou e armazenou em uma das 750 pastas identificadas pelo IGP — diz o delegado.
As investigações se iniciaram após a denúncia de uma menina de nove anos de Taquara, que contou aos pais que estaria sendo ameaçada pelo suspeito. A criança foi contatada pelo homem por meio de um perfil em uma rede social em que ele fingia ser uma menina menor de idade. Conforme a Polícia Civil, ele pedia fotos íntimas e depois ameaçava as vítimas.
Segundo o delegado, das 77 vítimas já identificadas, 22 eram de Igrejinha, no Vale do Paranhana. De acordo com a investigação, o homem era professor em um projeto social na cidade, o que lhe permitia ter acesso às crianças. Além disso, ele também tinha um estabelecimento comercial em Taquara, que recebia visitas de escolas. A polícia diz que o suspeito conhecia os pais de algumas vítimas.
Também foram identificados casos em cidades da Região Metropolitana e na Serra. A investigação segue em andamento. A polícia apura ainda se o homem agiu sozinho e desde quando ocorriam os abusos.
Segundo o delegado, o número de casos deve aumentar — uma vez que as pastas encontradas no HD do computador eram separadas por nomes — bem como a lista de crimes pelos quais o homem é acusado. O delegado Valeriano Garcia Neto faz um alerta à comunidade:
— Os pais e responsáveis têm que estar atentos. Orientar e supervisionar o comportamento das crianças nos ambientes virtuais. O predador sexual, em regra, é uma pessoa próxima da vítima e os pais têm que supervisionar o comportamento das crianças em ambientes virtuais — sublinha.
O que diz a defesa
O advogado Rodrigo Batista, que representa o suspeito, diz que a defesa aguarda informações sobre os autos do novo mandado de prisão, aos quais ainda não teve acesso:
— O interesse da defesa é garantir os direitos constitucionais do suspeito. Tem sido veiculado nome completo e endereço. O sigilo precisa ser respeitado dentro do princípio da ampla defesa. Por trás desse suspeito existe uma família — frisa o advogado.
Batista pontua que também espera ter acesso ao conteúdo do HD que foi apreendido. Ele acrescenta que a defesa teve acesso aos laudos periciais somente nesta quinta-feira.
Possíveis sinais de abuso
- Agressividade
- Baixo desempenho escolar
- Tristeza profunda
- Comportamentos sexualizados
- Perda de apetite ou compulsão alimentar
- Insônia, pesadelos frequentes ou querer dormir com a luz acesa
- Reação ao toque, como ao ser abraçado, por exemplo, e repúdio a alguma pessoa, como um familiar
Há ainda outros sinais físicos, que também podem ser percebidos:
- Hematomas no corpo da criança (especialmente nas pernas e barriga)
- Dor, inchaço, sangramento ou mesmo infecção na área genital
- Dor na barriga (pode ser um sintoma emocional) e dores no baixo-ventre
Fonte: Divisão Especial da Criança e do Adolescente (Deca)
Como denunciar
A Polícia Civil de Taquara disponibiliza o número (51) 98443-3481 para denúncias, que também podem ser feitas nos seguintes canais:
- Disque 100: recebe denúncias sobre violência contra criança e adolescente em todo o país
- Brigada Militar: pode ser acionada pelo 190 em qualquer cidade do RS
- Polícia Civil: basta ir à delegacia mais próxima ou repassar a informação pelo telefone de forma anônima. É possível utilizar o Disque Denúncia pelo 181. A Divisão Especial da Criança e do Adolescente (Deca) em Porto Alegre atende pelo telefone 0800-642-6400
- Conselho Tutelar: denúncias são verificadas. Em Porto Alegre, há plantão na Rua Fernando Machado, 657, Centro Histórico, inclusive durante a noite e aos fins de semana. Em casos de emergência é possível ligar para os telefones (51) 3289-8485 ou 3289-2020. O endereço e telefone de cada uma das unidades podem ser conferidos neste link.