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O local onde a menina de nove anos que havia sido sequestrada na tarde de terça-feira (25) foi mantida em cárcere privado e abusada até seu resgate pela Brigada Militar na manhã desta quarta (26), em Tramandaí, era "um buraco, no fundo do bar" do suspeito. É o que revela o delegado da Polícia Civil Alexandre Souza, que investiga o caso.
— Ela estava num alçapão, num buraco, fechado, e no fundo do bar — contou o titular da Delegacia de Tramandaí, no Litoral Norte.
O cativeiro foi identificado por dois policiais da Brigada Militar, após um popular relatar que havia visto a menina entrando no estabelecimento junto ao suspeito, mas que ela não tinha deixado a loja de conveniências, situada na Rua São Marcos, no bairro Parque dos Presidentes.
— Essa dupla de brigadianos entrou (no bar) com um popular atrás. Eles chamaram pelo nome da guria, ela falou "eu estou aqui, eu estou aqui" — descreve o momento em que a menina foi encontrada.
Conforme as primeiras informações levantadas pela investigação e o relato da vítima aos policiais, o suspeito, linchado por populares, agiu sozinho. Ele foi identificado como Marco Antônio Bocker Jacob, 61 anos. Peritos colheram material genético no local, onde também encontraram papel higiênico, preservativos e alguns sinais de sangue.
— Isso não se discute, ele estava sozinho ali. Ele é sozinho. Em nenhum momento chegou nenhum tipo de familiar. (...) Não se tem dúvida quanto à autoria desse crime — expressou.
Estado de saúde
Souza também revelou que a menina está bem e não corre risco de morte. A vítima foi encaminhada ao hospital, onde realizou uma bateria de exames durante a manhã.
Ela será transferida para Porto Alegre para receber profilaxia, tratamento para prevenir possíveis o desenvolvimento de doenças venéreas como HIV e sífilis, por exemplo.
Inquérito sobre homicídio consumado
O linchamento do suspeito será investigado pela Polícia Civil. Souza estima que entre 40 e 50 pessoas tenham participado do ato, que também resultou na depredação do bar onde a menina foi encontrada e de um veículo que estava estacionado em frente.
Os populares se aglomeraram em frente ao local minutos após a menina ser encontrada, alertados pelo morador que avisou os brigadianos sobre o possível paradeiro da menina.
— Os dois (policiais) não conseguiram segurar (a população). Eles (populares) lincharam e bateram no autor. O suspeito foi socorrido com vida, mas foi a óbito. Eram só dois (policiais), tiveram que chamar reforço.
Entenda o caso
A menina de nove anos foi sequestrada na tarde de terça-feira (25) no bairro Parque dos Presidentes, em Tramandaí, no Litoral Norte do RS.
Se queixando para a família de calor em casa, a vítima disse que ia brincar numa praça próxima. Foi quando o suspeito a atraiu oferecendo um picolé e a levou para uma loja de conveniências de propriedade dele. No local, a menina foi feita refém, trancada num porão, e abusada sexualmente.
Na noite de terça-feira, após a família estranhar a demora da menina em voltar para casa, a polícia foi acionada. Iniciadas as buscas, o pai chegou a ir no estabelecimento do suspeito, onde acabou desconfiando do dono da loja. Com a ajuda de imagens de câmeras de segurança, a Brigada Militar constatou que a menina foi até o local e não saiu mais.
Na manhã seguinte (26), a BM foi até a loja e encontrou a criança trancada em um alçapão. Ela foi retirada do cativeiro e encaminhada para atendimento médico.
Durante o resgate, a comunidade local reagiu violentamente, invadindo e depredando a loja, agredindo o suspeito e destruindo o carro dele. O homem foi atendido pelo Samu, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. A polícia tentou conter a multidão, mas um policial foi ferido no processo.
O homem linchado tinha antecedentes criminais por feminicídio, tráfico de drogas, furto em veículo, crueldade contra animais e lesão corporal.