
A vacina contra a dengue está em falta na rede privada de Porto Alegre, sem previsão de reposição. O imunizante Qdenga está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) apenas para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Para os demais públicos que podem receber a imunização, dos quatro aos 60 anos, a vacina deve ser adquirida no setor privado.
A reportagem da Rádio Gaúcha consultou clínicas e farmácias da capital gaúcha e não encontrou doses à disposição para compra.
As empresas procuradas registram dificuldades para adquirir o imunizante. Uma das clínicas relatou não conseguir novas doses desde julho de 2024. Outros laboratórios nem sequer contam com a vacina no catálogo.
Limitações
A presidente da Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas, Fabiana Funk, aponta a farmacêutica Takeda, fabricante do imunizante Qdenga, como responsável pela falta de abastecimento:
— Todas as pessoas, exceto aquelas entre 10 e 14 anos, estão expostas. Isso se deve simplesmente ao desabastecimento por parte do fabricante da vacina, que nos deixou sem doses disponíveis no serviço privado de vacinação.
Em nota, a Takeda esclarece que a oferta da vacina contra a dengue às clínicas e farmácias é limitada, pois a prioridade é o fornecimento de doses ao SUS, conforme o compromisso firmado com o Ministério da Saúde.
O Governo Federal aponta que crianças e adolescentes de 10 a 14 anos são a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue, após os idosos, que não podem tomar a Qdenga, segundo determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Vacinas aplicadas
Conforme o Ministério da Saúde, foram enviadas, em 2024, cerca de 6,5 milhões de doses aos estados e municípios, mas apenas 3,3 milhões foram aplicadas. Aproximadamente 1,3 milhão de jovens que iniciaram o esquema vacinal não retornaram para a segunda dose.
Em fevereiro deste ano, os estados foram autorizados a ampliar o público-alvo da vacina contra a dengue, de acordo com a data de validade das doses em seus estoques, para reduzir o desperdício de vacinas.
Doses com prazo de validade de até dois meses podem ser disponibilizadas para pessoas de seis a 16 anos. Vacinas com validade de até um mês ficam disponíveis para pessoas entre quatro e 59 anos.
Em Porto Alegre, a medida não está em prática, pois a Secretaria Municipal de Saúde aponta que não há estoque de vacina suficiente para ampliar o público-alvo. Até o final de março, a capital gaúcha havia registrado quase 1.900 casos confirmados de dengue.
Até o final de março, a capital gaúcha havia registrado 1.892 casos confirmados de dengue, incluindo um óbito. O Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) emitiu, na última terça-feira (1º), um alerta epidemiológico para dengue e chikungunya
*Produção: Gabriel Dias