O diretor-presidente do IPE Saúde, Bruno Jatene justificou a mudança nos valores praticados pelo plano de saúde. Com tabelas de valores atualizadas – uma delas diz respeito ao preço dos medicamentos – hospitais gaúchos ameaçam suspender o serviço caso a atualização não seja revogada.
Jatene, em entrevista ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha desta quarta-feira (1º), explicou as medidas. Ele diz que antes era usado como referência de mercado uma tabela da revista eletrônica BrasÍndice, que não é mais referência para os planos de saúde. O objetivo, agora, é de ter preços praticados de forma casual. Ele defendeu que essa mudança também é necessária por questões de responsabilidade administrativa.
— Essa publicação (BrasÍndice) era referência até alguns anos atrás, sendo a mais utilizada pelos planos em geral. O problema é que ela foi ficando desatualizada, e as próprias empresas começaram a fazer suas modificações. Agora, o IPE está fazendo o mesmo — destaca o presidente do IPE Saúde.
Dentro dessa revisão, Jatene afirma que três eixos são levados em consideração: reestruturação das despesas, modernização da instituição e novas fontes de financiamento. Ele afirma que, por meio de um trabalho desenvolvido durante meses em parceria com a Secretaria da Fazenda, especialistas e entidade construíram uma tabela própria do valor de medicamentos.
A nova lista engloba 437 itens de medicamentos que são de alto custo, representando quase 80% dos gastos em medicamentos, e que boa parte desses produtos são usados pela oncologia . Ele diz que, muito mais do que um "reequilíbrio financeiro" do IPE Saúde, a medida tem como objetivo preservar a saúde dos assegurados.
Como exemplo da diferença entre os valores, o presidente cita o caso de um medicamento hospitalar de uso restrito que custava R$ 1.462 na tabela do BrasÍndice, mas que pode ser comprado por R$ 46. Contudo, ele chama atenção para o fato de que esse exemplo é um "ponto fora da curva", não sendo uma prática recorrente.
Em média, segundo Jatene, os medicamentos tendem a ter uma queda de 20% no seu valor, o que faria com que as receitas dos prestadores vinculados ao IPE tenham uma queda.
— De forma geral, quando há alguma modificação que mexe nas receitas tende a ter alguma resistência — admite.
O diretor-presidente relembra que o ofício da suspensão, encaminhado por representantes dos hospitais, não foi enviado diretamente até o IPE Saúde, apenas ao Palácio Piratini. Nesta quarta-feira (1º), os representantes de hospitais voltam a se reunir e, na sexta-feira (3), se encontram com representantes do governo do Estado para buscar uma solução para o assunto.
Relembre
Nesta terça-feira (31), hospitais filantrópicos, beneficentes e santas casas decidiram dar prazo de 24 horas para o governo estadual suspender três novas tabelas de remuneração usadas pelo IPE Saúde. As tabelas dizem respeito ao preço de diárias, medicamentos e taxas de infusão para tratamentos oncológicos. As duas últimas foram corrigidas para cima, mas o peso maior é da nova tabela de medicamentos, que sofreu revisão em 437 itens, com redução média nos valores de 20,76%. Com o reajuste, a queda da receita será de R$ 60 milhões aos hospitais. Segundo as entidades, a remuneração paga pelos medicamentos ajudava no desequilíbrio de outros serviços com valores defasados.
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