Comemorado no sábado (26), o Dia Mundial de Prevenção do Câncer do Colo do Útero chama a atenção para o tipo de câncer que, é o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina, atrás do câncer de mama e do colorretal, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
O câncer de colo de útero atinge cerca de 16.710 mulheres por ano no Brasil e gera, pelo menos, 6,5 mil mortes. Esse tipo de câncer é causado pela infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano - HPV. Segundo o Inca, a infecção por esse vírus é frequente e na maioria das vezes não causa doença, mas em alguns casos alterações celulares podem evoluir para o câncer.
Por ser uma doença de desenvolvimento lento, é comum que a doença não apresente sintomas. Entretanto, sangramento vaginal intermitente, secreção vaginal fora do normal e dor abdominal associada a queixas urinárias podem ser alguma das manifestações desse tipo de câncer em casos mais avançados.
O exame preventivo do câncer do colo do útero é o Papanicolau, considerado a principal estratégia para detectar lesões precursoras e fazer o diagnóstico precoce da doença. Em 2014, o Ministério da Saúde implementou no calendário vacinal, a vacina tetravalente contra o HPV para meninas. Em 2017, foi ampliado para meninos. Essa vacina protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV.
Guia
Para marcar o Dia Mundial de Prevenção do Câncer do Colo do Útero, a Fundação do Câncer lançou hoje nesta quinta-feira (24) o Guia Prático Prevenção do Câncer de Colo do Útero - Orientações para Profissionais de Saúde . A publicação reúne orientações sobre a doença para capacitação de médicos e profissionais que trabalham na Atenção Básica de Saúde - enfermeiros, técnicos e agentes comunitários.
O guia tem o objetivo de aumentar a adesão às recomendações para a vacinação contra o HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano) e o rastreamento da doença. Ele pode ser acessado neste link.
A iniciativa faz parte do estudo Conhecimento e Práticas da População sobre Prevenção do Câncer de Colo do Útero, que teve a primeira parte divulgada em fevereiro deste ano. Nesta segunda etapa do levantamento foram considerados relatos de 2.727 profissionais de saúde, informou a médica Flávia Miranda Corrêa, doutora em saúde coletiva, pesquisadora da Fundação do Câncer e responsável pela pesquisa.
— Nós damos as orientações sobre o público-alvo da vacinação, quantas doses são necessárias e os intervalos entre elas; damos informações gerais sobre efetividade e segurança do imunizante, dúvidas que encontramos no levantamento. Há algumas orientações práticas para checar se, quando as crianças e adolescentes vão a consultas por outro motivo, elas estão vacinadas contra o HPV. Se não estiverem, os profissionais recomendem a imunização, para ajudar a aumentar a cobertura vacinal, que é pequena — disse Flávia.
Cobertura
Números obtidos desde 2014, quando a vacinação foi incorporada ao Programa Nacional de Imunização (PNI) no Brasil, revelam que a primeira dose da vacina para meninas entre nove e 14 anos alcançou 83% de cobertura, enquanto na segunda dose caiu para 57%. Para os meninos na faixa etária de 11 a 14 anos,os números são ainda mais baixos entre os representantes do sexo masculino: 58% tomaram a primeira dose e apenas 36% a segunda, informou a médica Flávia Miranda Corrêa, doutora em saúde coletiva, pesquisadora da Fundação do Câncer e responsável pela pesquisa.
Entre os entrevistados, 14% dos profissionais não tinham as informações exatas sobre o público-alvo da vacina, uma das formas de prevenir a doença, o que torna necessária orientação específica e reforço em campanhas A vacinação contra o HPV está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. São indicadas duas doses, com intervalo de seis meses entre elas. Pessoas imunossuprimidas também devem ser vacinadas.
Rastreamento
O levantamento mostrou que 75% dos profissionais ouvidos iniciavam o rastreamento de mulheres contra o câncer de colo do útero antes dos 25 anos, ou seja, fora da faixa recomendada, que é a partir dos 25 até os 64 anos, o que gera desperdício de recursos humanos e insumos. Além disso, 93% rastreavam com periodicidade anual, quando a recomendação é a cada três anos, após dois exames anuais sem anormalidade.
Devem ser priorizadas para o rastreamento mulheres que nunca fizeram o exame Papanicolau ou que fizeram há mais de três anos. Flávia relatou que existe a prática equivocada no país de começar a coleta de material preventivo quando a adolescente inicia a atividade sexual. Outra prática errada se refere à coleta de material para esse exame por suspeita de infecção vaginal ou corrimento.
Mortalidade
Esse tipo de câncer atinge cerca de 16.710 mulheres por ano no Brasil e gera, pelo menos, 6.500 mortes. O cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni, diretor executivo da Fundação do Câncer, disse que a ideia da entidade é informar à população que a doença tem cura e é possível prevenir a partir de uma vacina disponível no sistema público de saúde.
Maltoni acredita que será possível contribuir para o Brasil diminuir as diferenças regionais em termos de mortalidade por câncer de colo do útero. Dados do Instituto Nacional do câncer (Inca) revelam que, em 2019, a taxa padronizada de mortalidade pela população mundial na Região Norte foi de 12,58 mortes por 100 mil mulheres, representando a primeira causa de óbito por câncer feminino nessa região.
As regiões Sul e Sudeste tiveram as menores taxas (4,99/100 mil e 3,71/100 mil, respectivamente) representando quinta e sexta posições, respectivamente, entre os óbitos por câncer em mulheres.