
Iniciado em setembro do ano passado, o inventário de 50 mil árvores de Porto Alegre está 59% concluído. O levantamento traz informações como altura, espessura, inclinação, posição em relação à via e outros indicadores botânicos que podem ajudar a prevenir que plantas caiam sobre vias e fiações em dias de temporais, como o de segunda-feira (31).
Até agora, 29.528 árvores foram catalogadas. A expectativa era de que o estudo ficasse pronto em julho de 2025, mas o trabalho se estenderá ao longo do segundo semestre, informa a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus).
"Os trabalhos estão avançados. As equipes estão bem dimensionadas, e a empresa tem cumprido com as ordens de serviço, mas devido à reformulação na estimativa de tempo para o rendimento de cada inventário, o trabalho terá continuidade no segundo semestre de 2025", diz a Smamus em nota.
Quem toca o serviço é a empresa Amato Paisagismo Ltda. O contrato que se encerra em julho prevê o pagamento de R$ 396 mil. Como o serviço não será concluído até lá, o termo será renovado por mais 12 meses pelo mesmo valor.
Para executar a tarefa está sendo utilizado o software Arbolink, contratado pela prefeitura em abril de 2023. Trata-se de uma ferramenta que realiza o mapeamento e o diagnóstico das árvores adultas existentes nos logradouros públicos, inclusive com capacidade para indicar a necessidade de extração de espécimes em casos de doença ou risco de queda.
Como os dados podem ajudar a evitar quedas de árvores
De acordo com a Smamus, o cadastro qualiquantitativo possibilita que a gestão do município tenha dados mais precisos sobre as árvores na Capital e possa planejar a política pública em relação ao tema da arborização.
— Os dados coletados fornecem informações que permitirão análise estratégica da arborização dos bairros e a tomada de decisões sobre manejo, criação de políticas públicas, planejamento de plantios a fim de compatibilizar a arborização com a rede de energia, evitando no futuro os conflitos enfrentados. Com esses dados, se pode avaliar árvores com maior risco de queda. Contudo, ventos acima de 60 a 70 km/h podem derrubar árvores sadias — diz a coordenadora de arborização urbana da Capital, Verônica Riffel.
No entanto, a pasta ressalta que o estudo não indica se há necessidade de poda. A concessionária de energia CEEE Equatorial, por meio de um plano de ação firmado com o Ministério Público, mapeou áreas para serem priorizadas com podas preventivas, para evitar danos à rede elétrica. Foram estabelecidos 15 polígonos de atuação prioritária, em cujas áreas se encontram os circuitos elétricos que atendem equipamentos prestadores de serviços públicos essenciais, identificados como prioritários.
São regiões próximas a hospitais, pronto-atendimentos, estações de tratamento e bombeamento de água e esgoto, além de unidades do sistema prisional. Na manhã desta quarta, segundo dia após o mais recente temporal, 6 mil imóveis da Capital seguiam sem energia elétrica.
No Centro e no 4º Distrito, trabalho está feito
Antes do atual levantamento, feito pela empresa contratada, a prefeitura chegou a fazer o inventário de todas as árvores Centro Histórico e do 4º Distrito. Para isso, também foi utilizada a tecnologia do Arbolink, mas a equipe que foi a campo era formada por servidores da própria Smamus.
Recentemente, a pasta diz ter repassado à Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb) uma lista de árvores indicadas como secas e/ou mortas para que o manejo seja colocado na agenda de rotina das equipes.
— O manejo é necessário, mas com um vento de 110 km/h, como o de segunda-feira em determinadas regiões, árvores tombam com as raízes. Poderíamos avaliar se a espécie (plantada no passado) é adequada para aquele local. Dificilmente tu vai ver uma seringueira tombar, mas, em compensação, ela vai ser uma árvore gigante que vai destruir tudo que tem por perto. A escolha adequada do tipo de árvore que tu vai colocar em uma cidade é determinante — disse o secretário municipal de Serviços Urbanos, Vitorino Baseggio, em entrevista ao programa Gaúcha Mais, da Rádio Gaúcha.