
A desaprovação à atuação recente do Supremo Tribunal Federal (STF) foi a pauta dominante do painel que encerrou o primeiro dia do Fórum da Liberdade de 2025. A conferência reuniu o advogado e professor de direito constitucional André Marsiglia, a fundadora do Grupo Voto, Karim Miskulin, e o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS).
Com o tema "Sob Vigilância: A Batalha Pela Liberdade de Expressão", o painel começou às 18h54min. A primeira a falar foi Karim Miskulin, que contou sua trajetória e apresentou sua empresa. Gaúcha de Santo Antônio da Patrulha, ela é dona de uma companhia voltada a estratégias de marketing político e cursos de formação política, além de ter fundado a revista Voto, sobre política e negócios.
— Hoje, no Brasil, o medo é praticamente um consenso. Não porque as pessoas têm medo de falar por serem processadas, mas por serem canceladas, vaiadas ou com medo de um olhar enviesado. Devemos ter coragem de fazer nossa voz ser ouvida e não se calar. Se deixarmos o medo tomar conta, deixamos de ser livres — concluiu Karim, dando a deixa para André Marsiglia.

O advogado, por sua vez, começou sua fala defendendo a democracia no país. Ao longo do discurso, afirmou que o sistema político adotado no Brasil deve ser mantido, mas questionado:
— As pessoas defendem o que elas acreditam que é liberdade e democracia, o que pode não ser para outros. Para que serve a liberdade? Para chegarmos a um conceito de democracia e preservar esse conceito ou para justamente questionar, alcançar, jogar fora o que alcançamos... ou permanentemente questionarmos o que é democracia?
Na sequência, Marsiglia chamou as decisões de ministros do STF de "neoconstitucionalismo" e argumentou que hoje "tudo pode ser decidido por uma pessoa só", citando o chamado "inquérito das fake news", aberto em 2019.
— Seis anos depois, dizem que o STF está recuando. Não está. Apenas tirou o trator para depois passar de novo. Nós temos, no país, uma jurisprudência de exceção. O parlamento sabe o que está acontecendo, mas tem medo — disse.

Quando subiu ao palco, o deputado federal Marcel Van Hattem foi ainda mais enfático ao criticar o Supremo e pediu anistia para os condenados por tentativa de golpe de Estado no 8 de Janeiro.
— Sim, houve quem depredou e deve pagar pelos crimes que foram cometidos. Mas na medida da pena que cabe, e não como hoje, que já pagam mais do que muitos vândalos no Brasil jamais pagaram. Nós precisamos acabar com esse medo na sociedade para o povo voltar às ruas — disse Van Hattem.

O painel lotou o auditório principal do fórum, no Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Além das 6 mil cadeiras, havia pessoas em pé nas laterais. O Fórum da Liberdade é organizado pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE). A programação continua na sexta-feira (4).