
A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou nesta quinta-feira (21) que sua absolvição na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) "recoloca as coisas no devido lugar" em relação às delações premiadas na Operação Lava-Jato.
Em entrevista coletiva em Curitiba, a senadora afirmou que o caso "representa muito" para o PT e para o julgamento do pedido de liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na próximo dia 26, no mesmo colegiado.
— Não só no caso do ex-presidente Lula, eu acho que em todos os casos que se baseiam em acusações apenas com delações. A decisão do Supremo recoloca as coisas no devido lugar, as delações são indícios, mas não são suficientes para condenar uma pessoa — declarou Gleisi. Ela reforçou que o partido espera que o ex-presidente possa sair da cadeia após análise do Supremo.
Comentando a possibilidade de a Procuradoria-Geral da República (PGR) recorrer da absolvição, Gleisi disse ser pouco provável que o Supremo queira julgar seu caso novamente. Sobre outros processos que a citam, ela afirmou estar com a mesma "tranquilidade e firmeza" da denúncia julgada nesta semana.
Desgaste
A presidente do PT disse que gostaria de cobrar do Ministério Público Federal um ressarcimento pelos danos à sua imagem que teriam sido causados durante o processo contra ela no STF. A dirigente petista afirmou, porém, que só poderia cobrar judicialmente do Estado brasileiro e não quer que o povo brasileiro pague a conta.
— Eu vou pensar muito nisso porque qualquer ação que se tome vai recair sobre o povo brasileiro, e eu não quero que o povo pague por isso — afirmou Gleisi.
A senadora reforçou sua intenção em ser candidata a deputada federal pelo Paraná para reforçar a bancada petista na Câmara a partir do ano que vem. Em relação ao seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, absolvido no mesmo processo, Gleisi disse que ele está aposentado e não pretende voltar à vida pública.