
Cada vez mais, cães e gatos são considerados parte da família e deixaram de ser o animal que dorme fora de casa ou fica no pátio para cuidar da propriedade. Agora, os animais de estimação são tratados como filhos, que usam roupas, vão ao pet shop uma vez por semana, são matriculados em recreação e fazem até tratamentos alternativos, como ozonioterapia e reiki.
Um mercado em plena ascensão, que hoje representa oportunidade de investimento e crescimento na Serra. Por esse motivo, Caxias do Sul receberá a 1ª edição do Pet Serra Summit neste final de semana.
Nos dias 5 e 6 de abril, das 13h às 21h, o Parque de Eventos da Festa da Uva sedia o evento que promete ser o maior do setor pet da região, reunindo expositores, profissionais da área e amantes de animais para negócios e inovação. A organização espera receber de 10 mil a 15 mil pessoas entre os dois dias de feira. A estimativa é de que serão movimentados até R$ 1 milhão em negócios.
— Este é um mercado que cresce muito, costumo dizer que é infinito. Seja na área veterinária ou na da beleza, passando por alimentação até hotéis, banco de sangue. Nossa cidade tem 707 empresas na área pet, de acordo com dados de dezembro de 2024 — explica um dos organizadores do evento, Ivo Menegolla.
De acordo com Menegolla, a feira será um ambiente estratégico para que marcas do setor pet possam apresentar os respectivos produtos e serviços ao público certo.
— Com grandes empresas já confirmadas, o evento se posiciona como uma plataforma essencial para fortalecimento de networking e novas oportunidades de negócios — pontua.
A estrutura, com mais de 7 mil metros quadrados, contará com 40 expositores e atrações como o 1º Academy Grooming Competition, campeonato inédito de tosa, exposição de cães de raça, rodada de negócios com Sebrae, palestras e workshops com especialistas.
Entre os expositores, o público encontrará distribuidoras de produtos para banho e tosa, centros de adestramento, crematório, laboratório e farmácia de manipulação pet, acessórios e enfeites, veterinárias e hotéis.
A feira terá também o espaço Fest Pet, voltado ao público em geral apaixonado por animais. Lá, expositores vão oferecer serviços e produtos ao consumidor final. Os pets são bem-vindos, mas é necessário estarem na guia, junto ao tutor.
— A Fest Pet é pra quem tem cão e gato ir passear, conhecer produtos diferentes. Vai ter uma exposição de cães de raça também, que vai ser muito legal. Vai ter uma ilha só de food trucks, outra ala com um parque inflável para os "filhotes" humanos poderem brincar — antecipa Luciano Cabral Costa, da organização do evento.
Espaço para pets e tutores

Um dos expositores do Pet Serra Summit é o CT Pet Center, de Caxias do Sul. Empreendimento que nasceu no final de 2024 com a proposta de ser um centro de bem-estar animal, aliando espaços para pets e tutores.
Além dos serviços mais tradicionais, como banho e tosa e hotel, a empresa oferece reiki para pets, ozonioterapia e cromoterapia para cães com problemas dermatológicos, recreação e um café com quitutes para humanos e "aumigos".
— Montamos um espaço um pouco diferente do padrão que a gente encontra nas pets. Buscamos um lugar que tivesse o acolhimento não só para o pet, mas para os tutores. Eu vejo isso como um diferencial. Tem uma sala de estar para o pessoal que está aguardando, tem café com sofá e tomadas para o pessoal que vem trabalhar home office — explica um dos sócios do CT Pet Center, Eliézer Barbosa.
A necessidade pelo modelo de negócio surgiu porque Barbosa, junto das sócias Marta Facchin e Gabriela Nadin, viram que os animais têm sido, cada dia mais, tratados como filhos. Por isso, alguns tutores optam por esperar o pet tomar banho no estabelecimento, por exemplo.
— Esse apego emocional é gigante. Ao ponto de as pessoas falarem: "vou aguardar enquanto meu cachorrinho toma banho para ele não ter que esperar na baia". Então, em vez do cachorro esperar, o tutor espera aqui com um café ou trabalhando home office — exemplifica.
Para o banho dos pets, a experiência oferecida é diferenciada. Os animais usam produtos específicos para cada tipo de pelo, com a opção também de banho dermatológico para os pets com problemas de pele. A ducha tem um massageador embutido. Acima das banheiras, a iluminação de led promove a cromoterapia, utilizada para acalmar os animaizinhos durante o processo. E para quem quiser também há a opção da ozonioterapia, que é um recurso terapêutico que utiliza a mistura ozônio oxigênio medicinal com finalidade terapêutica.

Na área do café, onde boa parte dos tutores aguarda os pets tomarem banho, além da oferta de lanches, os sócios já visualizaram uma nova oportunidade: locar o espaço para festas de aniversário dos pets.
— Tem coxinhas para cachorro, brownies, bolinhos. Às vezes, se a pessoa faz festa de aniversário, temos a possibilidade de bolo para cachorro. Tem uma procura interessante, mas é um mercado em ascensão — conta Barbosa.
O espaço de cerca de 1,2 mil metros quadrados oferece também serviços como adestramento canino, atendimento veterinário, hotel canino e loja de produtos pet.
— Falando sobre diferenciais, na maior parte dos hotéis os cachorros ficam em baias na hora de dormir. Aqui não, eles dormem juntos uns com os outros. Cada um tem a sua caminha e dormem juntos, porque eles coexistem, brincam, se divertem. É mais humanizado. Os tutores não querem deixar os cachorros fechados em um quartinho. Em casa, eles usam o nosso espaço, a nossa cama. É a nova tendência do mercado. A gente trata como um filho e você não vai deixar dormir num fechadinho — destaca Barbosa.

Demanda crescente
Outro expositor do Pet Serra Summit é o centro de adestramento e hotel Vale da Neblina, de Farroupilha. Atuando na área pet desde 2009, o sócio do empreendimento, César Beux, observa que o mercado está aquecido e em crescimento constante:

— Cada vez mais as pessoas estão buscando ter a companhia de um animal dentro de casa. Isso faz com que surja a necessidade de educar esses animais. Assim como um pai e uma mãe educam uma criança e colocam na escola, um proprietário de um cão responsável também procura um profissional de educação canina para possibilitar essa aprendizagem básica por parte do animal, para que ele tenha um bom convívio com a família — explica.
O pico de crescimento na busca pelo serviço de adestramento foi no período pós-pandemia de covid-19, segundo Beux. Isso porque muitas famílias adotaram ou compraram pets durante o período de distanciamento social. Depois, quando a vida voltou ao normal, os pets não sabiam como lidar com a ausência dos donos em casa, por exemplo.
— Ainda hoje existem pessoas que chegam aqui e dizem: "esse cão eu adquiri durante a pandemia". Esses cachorros não estavam preparados para ficarem sozinhos. Não conheciam o mundo. Isso, na verdade, foi um comportamento errôneo por parte do ser humano, em querer suprir a sua falta de contato social com o cão, mas esquecendo das necessidades do cão como espécie — esclarece.
Apesar do senso comum de que cachorros de porte pequeno não precisem de adestramento, Beux explica que, independentemente de raça ou tamanho, o animal pode oferecer riscos quando não educado da forma correta.
— A gente está falando de uma única espécie. Então, ele tem que ser tratado de igual forma. E, ao contrário do que as pessoas imaginam, que seria só um cão grande que precise de treinamento, se nós formos falar de problemas domésticos ou de acidentes que acontecem com os cães, a gente vê uma parcela muito maior com cães de pequeno porte — aponta.
O leque de atuação do adestrador, no caso do Vale da Neblina, vai muito além do comportamento para os pets de estimação. Para esses, as orientações giram em torno de como se portar quando o tutor recebe visitas em casa e passear sem puxar o tutor, por exemplo. Mas o serviço vai além.
Na chácara, localizada na Linha 30, no interior de Farroupilha, a sócia-proprietária, Janaina Ganzer, trabalha com cães que atuam em apoio às pessoas, popularmente conhecidos como cães de serviço.
Além do treinamento mais conhecido dos cães guia para pessoas com cegueira, há também o cão ouvinte, o cão de assistência para autismo, cão de mobilidade reduzida, de assistência psiquiátrica e de alerta médico.
— O cão de assistência é treinado para mitigar os impactos de uma pessoa com deficiência, especificamente para aquela pessoa. Existe um protocolo de treinamento desde a seleção desse cão e ele passa por fases de aprendizagem. Isso se dá em torno de dois anos — explica Janaina.
A adestradora é especializada no treinamento de cão ouvinte, que auxilia pessoas surdas, cão de assistência para autismo, cão de mobilidade reduzida e cão de assistência psiquiátrico. Janaina inclusive viaja por diversos Estados do Brasil para adestrar os cães e já participou do programa Encontro, da Rede Globo, em 2019, quando apresentou o trabalho da cachorrinha Leona, ouvinte.
— Tem busca, porque é algo que está começando a ser trabalhado. Sempre existiu, mas o grande problema eram as legislações. Aqui no Brasil sempre foram feitas leis pensando no cão guia. Mas não eram feitas leis pensando nos outros tipos de cães de assistência — explica Janaina.
No Pet Serra Summit, além da feira de negócios, o Vale da Neblina vai orientar os donos de pets que levarem os respectivos animais ao evento sobre como devem se portar no espaço Fest Pet, aberto à comunidade.
Paçoca em busca de um lar

Especialmente para o Pet Serra Summit, César e Janaina, junto do Canil Municipal, estão adestrando o cãozinho Paçoca, que está em busca de uma nova família que o adote.
Com cerca de dois anos de idade e porte pequeno, durante o período de pouco menos de um mês ele aprendeu a dar a pata, passear ao lado do tutor e sentar.
A ideia de adestrar Paçoca surgiu porque os sócios do Vale da Neblina consideram que, com os truques aprendidos, o cãozinho pode chamar atenção de possíveis adotantes durante a feira.
Mercado com necessidade de mão de obra qualificada

Há 18 anos no mercado pet, Luciano Cabral Costa percebeu a necessidade de qualificar a mão de obra para o mercado que cresce ano após ano. Ele, que já atuava como distribuidor de produtos para banho e tosa, ouvia frequentemente dos clientes que a escassez de pessoal qualificado impactava diretamente nos negócios.
A partir dessa demanda, fundou a Elluc Academy, uma instituição de ensino 100% voltada para o mercado pet.
— É um mercado muito novo ainda, por mais que ele esteja amadurecendo. A gente começou a ver que a distribuição em si, que é compra e venda de produto, hoje, com essa velocidade que a internet veio tomando, está ficando diferente. Então, nós agregamos no portfólio da Elluc alguns serviços, não trabalhar apenas como uma distribuidora, mas oferecer aquilo que pode ajudar o nosso cliente a crescer — explica Costa.
Com espaço para cursos e workshops no bairro Santa Catarina, pelo menos 800 alunos já se formaram nos cursos oferecidos na escola, que funciona desde 2020.
— Antigamente, o banho e tosa era um ambiente meio escondido, atrás do pet, um lugar que não era para aparecer muito, porque era sujo. Hoje não, o banho e tosa está na vitrine, então tem que ser um lugar bonito, onde as pessoas olhem e digam "nossa, que lugar legal, eu quero o meu filho aqui". Os produtos são todos superpremium, para um cliente que chamamos de superpremium, aquele que mais tem o pet como filho, independentemente de sua classe social — destaca.
Depois de se formar nos cursos oferecidos na escola, o aluno tem duas opções: ou abre o próprio negócio, com assessoria da Elluc Academy para estruturação, ou vai trabalhar como empregado de um dos mais de 1,8 mil clientes da distribuidora.
— O mercado pet, por ser novo, ainda necessita de uma qualificação maior. O pet passou de cão de guarda ou de caça até chegar no pet e no filho muito rápido. Os profissionais não estavam preparados — analisa.
Além dos cursos voltados ao banho e tosa, há a opção de se especializar na área estética, ou como grooming therapist, que é o profissional especialista em banho dermatológico e até vendedor de pet shop.
— A gente vai lançar agora o curso de atendente de farmácia, que também é muito legal, porque precisa de um conhecimento específico. Tem uma infinidade de coisas e vem crescendo a procura. Nossos próprios clientes estão mandando gente pra cá, porque estão precisando de mão de obra e eu não estou conseguindo mandar alunos o suficiente para eles — revela Costa.
Produtos 100% brasileiros

Enquanto distribuidora, a empresa atende pelo menos 1,8 mil clientes ativos, entre Serra e Norte do RS. Os produtos são todos da marca Pet Society, 100% nacional e considerada por especialistas da área como uma das mais modernas do mundo.
— Eles exportam para mais de 70 países. Tem produto com secagem rápida para o animal não ficar molhado muito tempo, linha Detox, para tirar toda a sujidade e carga química que o pelo tem recebido com o tempo. Tem o produto Lama Negra, que é um tratamento com carvão ativado. Tem uma linha baseada em ingredientes naturais e também os produtos para o banho dermatológico — explica.