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Na tarde desta quinta-feira (27), audiência pública na Câmara de Vereadores de Passo Fundo discutiu soluções para moradores em situação de rua no município. Participaram do encontro parlamentares, representantes do Executivo, da segurança pública e de entidades.
A iniciativa da mesa diretora foi uma resposta à reunião com a direção do Centro Pop e equipe responsável pela abordagem dos moradores em situação de rua da cidade.
Dados apresentados pela secretária de Cidadania e Assistência Social (Semcas), Elenir Chapuis, apontam que 2024 registrou um aumento de 25% na população de rua no Brasil quando comparado a 2023. Entre os fatores que contribuem para o crescimento da estatística estão conflitos familiares, transtornos mentais e uso abusivo de álcool e drogas.
— Esse aumento acaba repercutindo em todos os municípios, e Passo Fundo não fica de fora. É uma cidade que disponibiliza os serviços de acolhimento. Das 146 pessoas que nós acolhemos na casa de passagem em janeiro deste ano, 118 são de fora do munícipio — afirma a representante.
Entre os serviços oferecidos pelo município está o Centro POP, local onde os moradores de rua podem se alimentar e tomar banho, e a Casa de Passagem, espaço para pernoitar.
Segundo Elenir, a audiência é uma forma de reunir diferentes secretarias, como a de Saúde e a de Segurança Pública, para projetar ações concretas e integradas.
— Hoje é um momento bastante importante porque foram trazidas várias questões que podem ser aprofundadas e cristalizadas cada vez mais, para que a gente possa ter uma rede mais forte, mais consistente e fazer o enfrentamento com proposições — disse.
Para o presidente da Câmara, Gio Krug, a questão é ampla e deve envolver setores como a saúde, assistência social e segurança.
— É necessária a sintonia de todas as entidades para atender essa demanda — disse.
Abordagem social
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Desde a segunda-feira (24), o município realizou diversas abordagens aos moradores em situação de rua.
A abordagem social é uma ação continuada da Semcas, onde equipes especializadas realizam uma busca ativa desses moradores e apresentam os serviços da rede municipal para encaminhamentos de saúde e assistência social, além de oportunidades de reinserção social e profissional.
Segundo a titular da secretaria, as ações resultaram na saída de 47 pessoas da rua.
— Tivemos o acolhimento na Casa de Passagem de 18 pessoas, duas foram encaminhadas ao hospital, houve 12 internações em comunidades terapêuticas, 15 pessoas decidiram voltar para suas cidades de origem e um recolhimento ao sistema prisional — conta Elenir.
Presente na audiência, o vice-presidente da Fazenda Esperança de Passo Fundo, Luciano Amarante, afirma que os moradores de rua precisam de acolhimento e que, após acompanhar ações realizadas pelo município, acredita que algumas formas de abordagem precisam ser revistas.
— Precisa-se desse estreitamento dos órgãos e instituições que estão responsáveis por essa abordagem aqui em Passo Fundo para melhorarmos esse trabalho — disse.