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A Corsan/Aegea concordou em suspender a cobrança das contas de água que tenham tido aumento de 40% ou mais em janeiro ante o mês anterior. Essa foi a principal decisão de audiência de conciliação mediada pela Justiça na tarde desta quinta-feira (27), em Passo Fundo.
O encontro reuniu representantes do Judiciário, Ministério Público, Câmara de Vereadores e prefeitura depois de ação civil encabeçada pela Defensoria Pública do RS. O resultado da conciliação foi assinado pela juíza Rossana Gelain (leia na íntegra).
Além da suspensão da cobrança, a Corsan se comprometeu em reanalisar as faturas de janeiro e identificar se houve erros nas cobranças. Se o aumento se confirmar, o valor poderá ser parcelado pelos moradores em até 10 vezes.
Entre as decisões, o documento também propõe que, em caso de necessidade de vistoria local e trocas de registros, os serviços devem ser realizados pela Corsan/Aegea dentro de um período de oito meses.
Uma nova reunião marcada para 3 de abril deve abordar os custos das contas de fevereiro e os custos das ligações domiciliares à rede de esgoto para famílias que estão no Cadastro Único.
Na quarta-feira (26), a Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo (CDHPF) emitiu uma manifestação pública onde solicita a isenção da tarifa de fevereiro para os afetados pela falta de água na cidade.
Por meio de nota, a Corsan/Aegea afirma que dará cumprimento ao acordo realizado na tarde desta quinta-feira (27) com o Poder Judiciário (confira nota na íntegra abaixo). Referente ao abastecimento de água na cidade, a empresa também afirma que todo o sistema foi recuperado e que situações pontuais de baixa vazão ou instabilidade devem ser comunicadas à companhia.
Protesto em frente ao Fórum
Enquanto a audiência acontecia dentro do Fórum, do lado de fora dezenas de pessoas protestavam por melhorias no abastecimento da cidade. A manifestação foi impulsionada pela falta de água que deixou parte da cidade sem abastecimento de sexta (21) a terça-feira (25).
— Viemos aqui para cobrar o que é de direito nosso, que é a água, que é o mínimo, é a dignidade do nosso povo aqui de Passo Fundo. Ainda há alguns lugares que não têm água. Caminhão-pipa segue percorrendo pela cidade. Além do mais, tem famílias que receberam conta de água com valores exorbitantes, isso não está certo — afirma o representante do bairro São Luiz Gonzaga, Daniel Antônio Ribeiro Gonçalves.
A moradora do bairro Zacchia, Andriele Araújo, conta que ficou dois dias sem água, entre segunda (24) e quarta-feira (26), e que precisou tomar banho no próprio trabalho onde atua como auxiliar administrativa.
— Não é de agora que esta faltando água no meu bairro. Lá em casa voltou, mas está bem fraca. Eu ainda faço lanches em casa para vender e ter uma renda extra. Mas não tem como sem água. É horrível ficar sem água para tomar e lavar a louça, por exemplo — disse.
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Na casa da família da Jéssica Alves, a conta da água passou de R$ 100 para R$ 300 de um mês para o outro.
— Estamos lutando pelo nosso direto. É uma causa que a gente vai lutar sim. Não podemos abaixar a cabeça — protesta.
Participaram representantes de diversos movimentos sociais da cidade, como sindicatos e entidades estudantis.
O que diz a Corsan
"A Corsan participou, na tarde desta quinta-feira, 27, da audiência de conciliação no Fórum de Passo Fundo e dará cumprimento ao que foi acordado com o Poder Judiciário.
Sobre o abastecimento de água na cidade, todo o sistema está recuperado. Situações pontuais, de baixa vazão na rede ou instabilidade podem ser comunicados à Companhia. Uma equipe irá até o local para verificar o caso e tomar as providências.
Podem ser utilizados o WhatsApp (51) 99704-6644, aplicativo Corsan (disponível no telefone celular, nas versões Android e IOS), site www.corsan.com.br (na Unidade de Atendimento Virtual) e ligações gratuitas pelo 0800.646.6444.
A Corsan ressalta que está permanentemente disponível nesses canais e recomenda que a população sempre utilize esses meios de contato para solicitações, pedidos de informação ou para fazer comunicados. Isso agiliza a tomada de providências e a mobilização das equipes de serviço."