Por Bruno Rossini, economista e consultor na Tendências Consultoria; Fábio Tieppo, engenheiro e consultor da Tendências Consultoria e Felipe Yamamoto, economista e consultor na Tendências Consultoria
As intensas chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul em abril e maio de 2024 não apenas causaram destruição material imediata, mas também geraram efeitos prolongados para a economia, especialmente para o turismo.
A recuperação será gradual, porém fundamental para a retomada econômica do Estado
O evento, considerado a pior tragédia climática da história do Estado, levou à obstrução de estradas e à paralisação de rodoviárias e do aeroporto Salgado Filho. Este último teve suas atividades suspensas por mais de cinco meses.
O turismo representa aproximadamente 4% do PIB gaúcho e sofreu um impacto sem precedentes. Projetando o comportamento que seria esperado dos principais setores econômicos e comparando-o com os resultados observados após o desastre, é possível estimar esse efeito.
Embora as indústrias de transformação e metalurgia tenham retornado à normalidade em aproximadamente um mês, o turismo, mesmo passados mais de seis meses, ainda não voltou aos níveis que seriam verificados sem a ocorrência das enchentes.
Considerando dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), o nível de volume de serviços de turismo foi 37,9% inferior ao projetado em maio de 2024 e, desde então, não se recuperou. Conforme os últimos dados disponíveis, em outubro o valor ainda era 26,3% inferior ao que seria verificado na hipótese de ausência do desastre.
Os efeitos do turismo são ainda mais relevantes ao se considerar que o setor é um polo indutor da economia, com efeitos indiretos que alavancam o resultado de outros segmentos. Estudos indicam que R$ 1 milhão investidos no turismo do Rio Grande do Sul geram um aumento de R$ 1,88 milhão na produção nacional, R$ 391,69 mil em salários e R$ 99,31 mil arrecadados com tributos.
A frustração dos gastos do setor implica na perda desses benefícios. A recuperação do turismo gaúcho será um processo gradual, porém fundamental para a retomada econômica do Estado. Seu sucesso dependerá da coordenação entre o poder público e a iniciativa privada.