A eleição de Donald Trump, o fenômeno do Brexit da Grã-Bretanha, as crises fiscais da maioria dos países, a eleição de políticos como Marine Le Pen na França e os surtos migratórios são causas e consequências do nacionalismo que tensiona a tese liberal da globalização em vigência nas últimas décadas. Estamos entrando num paradoxo, pois as nações dependem da dinâmica e da organização internacional e global, e simultaneamente, fenômenos sociais, econômicos e políticos comandam um "fechar fronteiras".
Será um processo de desglobalização econômica? Seja pela competição por empregos nativos, pela atração por empresas e investimentos ou por xenofobia, ódio e conflitos religiosos este neoprotecionismo redesenha dramaticamente o tabuleiro do xadrez econômico atual.
De fato, as inovações tecnológicas como a internet móvel e a computação nas nuvens conduziram a uma perda de relevância do espaço geográfico. O território político deixou de ser necessário para o trabalho e para o emprego, e, por consequência, para a regulação, tributação e fiscalização efetivadas por nações, Estados e municípios.
As estruturas econômicas locais perderam o sentido de serem nativas e tornaram-se globais, migrando em busca de menores custos. Muitos governos exauriram recursos para reposicionar competências e competitividade regional, mas o endividamento, a crise, a estagnação e até a decadência foram resultantes.
O Rio Grande do Sul é um destes casos. Temos coisas que nos emocionam e nos orgulham porque somos daqui. Mas se aparecer um Trump gaudério que consiga nos convencer da possibilidade de resgatar a pujança da economia gaúcha e as indústrias de base local-familiar que já foram vendidas ou faliram, levará em massa votos de eleitores hoje tão desesperançosos. É isso que Trump prometeu aos americanos com a estima tão abatida por longos anos de perdas. Primeiro para a indústria japonesa nos anos 1980, depois para a coreana nos anos 1990 e, finalmente, para a chinesa nos anos 2000.
O embate será intenso, pois é evidente que os governantes neoprotecionistas terão seu dilema: precisarão de compradores estrangeiros de títulos de suas dívidas.