O governo de Donald Trump cancelou, nesta terça-feira (1º), o visto para os Estados Unidos do ex-presidente da Costa Rica e prêmio Nobel da Paz Óscar Arias, que tem sido crítico do atual chefe da Casa Branca.
Duas vezes presidente (1986-1990 e 2006-2010), Arias ganhou o Nobel em 1987 por sua ativa ação diplomática para pôr fim às guerras civis na América Central. Além disso, foi pioneiro na região ao romper laços com Taiwan para estabelecer relações diplomáticas com a China, em 2007.
"Ele recebeu um e-mail onde foi notificado que seu visto foi cancelado", disse à AFP Miguel Guillén, secretário-geral do Partido Libertação Nacional (PLN), a formação social-democrata à qual pertence Arias, de 84 anos.
Segundo Guillén, a notificação não mencionava as razões da revogação, mas Arias criticou a política de deportações de migrantes e a guerra comercial global de Trump, assim como a forma como tratou o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky.
O ex-presidente convocou uma coletiva de imprensa na tarde desta terça em sua casa em San José para comentar o cancelamento de seu visto, sanção também imposta a quatro deputados costarriquenhos, segundo a imprensa local.
Arias também é crítico do atual presidente costarriquenho, Rodrigo Chaves, a quem acusa de receber ordens de Washington.
"Não sabemos as razões de fundo, mas devemos levar em conta que don Óscar foi quem estabeleceu relações diplomáticas com a China e podemos suspeitar que poderia ter a ver com este tema", disse Guillén.
Em 28 de fevereiro, Arias criticou no Facebook o comportamento de Trump ao receber Zelensky na Casa Branca.
"Esteve ausente a diplomacia, a moderação, o respeito e a calma, e em seu lugar prevaleceu a linguagem arrogante e humilhante do presidente Trump e seu vice-presidente JD Vance", escreveu.
Pouco antes, em 14 de fevereiro, destacou que durante seus governos a Costa Rica manteve uma política externa independente, sem receber "ordens de Washington".
"Nunca foi fácil para um pequeno país discordar do governo dos Estados Unidos e, menos ainda, quando seu presidente se comporta como um imperador romano", declarou.
Também afirmou que sempre acreditou que "os Estados Unidos são uma nação em busca de um inimigo. Hoje esse inimigo é a China. Ter um suposto inimigo lhes permitiu alimentar a indústria armamentista".
* AFP