"Se eles reclamarem, se quiserem uma tarifa zero, então que fabriquem seu produto aqui mesmo, nos Estados Unidos", disse, nesta quarta-feira (2), o presidente Donald Trump, ao revelar as tarifas aduaneiras do "Dia da Libertação".
Em um discurso bastante esperado no roseiral da Casa Branca, o magnata afirmou que o 2 de abril de 2025 "será lembrado para sempre como o dia do renascimento da indústria americana".
Ele acredita que a indústria nacional vai experimentar uma ascensão graças à chegada maciça de empresas aos Estados Unidos para fabricar seus produtos.
Isso ainda deverá se confirmar, mas Trump deixou claro que já não vai permitir importações aos Estados Unidos sem uma tarifa adequada.
"Os trapaceiros estrangeiros saquearam nossas fábricas e os carniceiros estrangeiros destruíram nosso outrora belo Sonho Americano", advertiu Trump.
"Mas isso não vai mais acontecer".
Estas são algumas de suas outras falas de destaque.
- 'Independência' -
"Durante décadas, nosso país foi saqueado, violado e espoliado por nações próximas e distantes, tanto amigas quanto inimigas", disse Trump.
E insistiu em que os aliados costumavam abusar mais.
"Este é um dos dias mais importantes, na minha opinião, na história dos Estados Unidos. É nossa declaração de independência econômica".
"Os empregos e as fábricas voltarão com força ao nosso país, e vocês já estão vendo isso. Vamos impulsionar nossa base industrial nacional. Abriremos mercados estrangeiros e derrubaremos as barreiras comerciais e, em última instância, uma maior produção nacional se traduzirá em maior concorrência e preços mais baixos para os consumidores".
- Benevolente? -
Apesar de revelar tarifas mínimas de 10% para os parceiros comerciais, Trump repetiu mais de uma vez que estava sendo muito benevolente, "muito amável".
"Vamos cobrar deles aproximadamente a metade do que eles nos cobram."
E se os países resistirem? "Se eles reclamarem, se quiserem uma tarifa zero, então que fabriquem seu produto aqui mesmo, nos Estados Unidos".
- Sem piedade com a China -
A China, a segunda maior economia do mundo, encabeçou a lista de tarifas que Trump mostrou no púlpito.
O presidente afirmou que as tarifas totais aplicadas por Pequim aos produtos americanos, incluindo a manipulação cambial, chegam a 67%.
"Assim que vamos aplicar uma tarifa recíproca reduzida de 34%" às importações chinesas, disse Trump.
"Eles nos cobram, e nós os cobramos, e cobramos menos. Como alguém pode ficar incomodado? Eles vão, porque nunca cobramos nada de ninguém. Mas agora vamos cobrar".
Trump afirmou que o presidente chinês Xi Jinping estava entre os muitos líderes mundiais que "entendem" a necessidade das tarifas, como as que impôs ao aço e a outros produtos chineses em seu primeiro mandato.
"Todos eles entendem que teremos que passar por um pouco de amor difícil, talvez. Mas todos eles entendem. Eles estão nos roubando e entenderam isso."
- Muito tempo atrás -
"De 1789 a 1913, fomos uma nação respaldada por tarifas, e os Estados Unidos eram proporcionalmente o país mais rico", sustentou Trump, que elogia reiteradamente o presidente protecionista da década de 1890, William McKinley, como um de seus heróis.
"Em 1913, por razões desconhecidas para a humanidade, estabeleceram o imposto sobre a renda para que os cidadãos, em vez dos países estrangeiros, começassem a pagar o dinheiro necessário para o funcionamento de nosso governo", disse Trump.
"Depois, em 1929, tudo teve um fim bastante abrupto com a Grande Depressão. E isso nunca teria acontecido se tivessem mantido a política tarifária", disse Trump. O presidente, no entanto, omitiu os múltiplos fatores que a provocaram, como a economia global, os problemas bancários e o "crash" da Bolsa de Valores.
- Não se render -
Trump investiu não apenas contra a China, outros países asiáticos e a União Europeia, mas também contra a política interna.
"Os Estados Unidos já não podem continuar com a política de capitulação econômica unilateral", declarou.
"Não podemos pagar os déficits de Canadá, México e tantos outros países. Costumávamos fazer isso. Já não podemos."
* AFP