Os preços do petróleo fecharam nesta quinta-feira (3) com fortes quedas, após a nova etapa da ofensiva comercial do presidente Donald Trump, que decidiu impor tarifas massivas sobre os produtos importados pelos Estados Unidos.
O preço do barril de Brent do Mar do Norte, para entrega em junho, caiu 6,42%, para 70,14 dólares. Seu equivalente americano, o barril de West Texas Intermediate, para entrega em maio, recuou 6,64%, para 66,95 dólares.
Os produtos energéticos são "geralmente sensíveis às desacelerações econômicas", disse Arne Lohmann Rasmussen, da Global Risk Management.
"Os anúncios de tarifas foram muito piores do que o esperado", segundo o analista, o que está deprimindo os mercados e "pressionando para baixo os preços do petróleo".
A ofensiva protecionista da Casa Branca, sem precedentes desde os anos 1930, inclui uma tarifa geral de 10% que entrará em vigor em 5 de abril às 04h01 GMT (01h01 de Brasília) e outras mais altas que serão implementadas em 9 de abril no mesmo horário.
Segundo afirmou nesta quinta-feira a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, as sobretaxas americanas poderiam provocar uma contração "de cerca de 1%" no volume do comércio mundial de mercadorias.
O "interessante é o que o resto do mundo fará com as exportações americanas de petróleo e energia", destacou John Kilduff, da Again Capital, em declarações à AFP.
Como maior produtor mundial de petróleo, os Estados Unidos também estão entre os maiores exportadores.
"Se a situação continuar piorando, espero que a produção e as exportações americanas sejam afetadas pelas tarifas da concorrência", antecipou Kilduff.
Ao mesmo tempo, os operadores têm que lidar com o anúncio desta quinta-feira de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+) aumentará sua produção mais do que o previsto a partir de maio.
A Opep+ "aplicará um ajuste de produção de 411 mil barris diários" em maio, anunciou em um comunicado.
"É um golpe duplo para o mercado de petróleo", resumiu Kilduff. Os operadores agora se preocupam com o equilíbrio entre o enfraquecimento da demanda, devido ao impacto das tarifas, e o aumento da oferta, especialmente com o retorno dos barris da Opep+.
* AFP