
Depois de um atraso de quase três horas, o acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas entrou em vigor às 11h15min do horário local (6h15min em Brasília) deste domingo (19). Os nomes de três reféns foram divulgados pelo grupo terrorista (confira a lista abaixo).
Por volta do meio-dia (horário de Brasília), a imprensa israelense informou que as primeiras reféns foram libertadas e estão com a Cruz Vermelha:
"O Comitê Internacional da Cruz Vermelha comunicou que as três reféns israelenses foram transferidas para eles e estão a caminho das forças do IDF e ISA na Faixa de Gaza".
Em Tel Aviv, cidade da costa israelenses, milhares de pessoas se reuniram em praça pública para acompanhar a libertação das reféns. Emocionados, os israelenses empunharam cartazes com fotos das compatriotas libertadas e frases como "Bem-vindo ao lar".
Atraso marcou início do cessar-fogo
Segundo o g1, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, divulgou um comunicado, antes do horário previsto para o início da trégua, afirmando que o acordo não entraria em vigor até que a lista dos primeiros reféns que seriam libertados fosse divulgada. Em seguida, o grupo terrorista informou que não enviou os nomes por "razões técnicas".
A previsão era de que o cessar-fogo entrasse em vigor às 8h30min pelo horário local (3h30min em Brasília). Durante o atraso, as Forças de Defesa de Israel bombardearam algumas regiões de Gaza.
Os nomes só foram divulgados duas horas depois. Confira:
- Romi Gonen, 24 anos: sequestrada em uma emboscada enquanto tentava deixar o festival Supernova
- Emily Damari, 28 anos: a jovem tem nacionalidade britânica-israelense e foi sequestrada no Kibutz Kfar Aza, no sul de Israel
- Doron Steinbrecher, 31 anos: enfermeira veterinária que também morava em Kfar Aza e foi rendida dentro do próprio apartamento
As famílias foram comunicadas e, segundo o governo de Israel, o resgate das vítimas acontecerá às 16h, pelo horário local (11h, em Brasília). A previsão é de que outros quatro reféns sejam libertados nos próximos dias.

O acordo
A execução do plano, negociado para acontecer em três etapas, ocorre 470 dias após o ataque do grupo terrorista, que resultou na captura de cerca de 200 reféns e em uma guerra com reflexos em toda a região. Após o gabinete de segurança israelense aprovar os termos do acordo, o texto foi ratificado pelo Gabinete de Governo, composto por todos os ministros da gestão do premier Benjamin Netanyahu.
O acordo começa, justamente, com a liberação de reféns — estima-se que cem pessoas sigam sob cárcere dos terroristas. Trinta e três israelenses devem ser entregues. A prioridade é a soltura de mulheres, crianças, idosos e feridos. Entre os reféns, estariam cinco soldados. Segundo a rede britânica BBC, três pessoas seriam soltas imediatamente, com a liberação das demais acontecendo gradualmente ao longo dos 42 dias — seis semanas — da primeira etapa do cessar-fogo.
Israel acredita que a maioria dos reféns está viva. No entanto, o país não recebeu confirmação oficial do Hamas. Os corpos de cativos mortos também devem ser devolvidos. Em troca, as forças israelenses pretendem liberar 95 prisioneiros palestinos, sendo 25 homens e 70 mulheres. Na lista, divulgada pelo Ministério da Justiça de Israel, está a parlamentar palestina Khalida Jarrar, 62 anos.
Além da liberação de reféns e prisioneiros, a primeira fase do acordo de cessar-fogo também prevê a retirada de tropas israelenses do território palestino. Isso deve permitir que a população da Faixa de Gaza volte para o norte da região, após a migração forçada para o sul com a eclosão do conflito, bem como o ingresso de ajuda humanitária.