
Profissão Gauchão traz uma série de reportagens com profissionais que trabalham nos clubes que disputam o Gauchão 2025. Ao longo da primeira fase, GZH contará a história de personagens que fazem a diferença no cotidiano das equipes. Nesta quarta-feira (12), confira a história de Paulo Sérgio Teixeira, o Tatu, massagista do Brasil de Pelotas.
A dedicação profissional é tão grande que se é capaz de ser preso para defender as cores do clube. Vale a pena tamanha dedicação?
— Vale. Lógico que vale. Sempre vale — garante sem titubear Paulo Sérgio Teixeira, 56 anos.
Pelos corredores do Bento Freitas ninguém o conhece pelo nome. É Tatu pra lá. Tatu pra cá. Há 12 anos ele trata dos jogadores do Brasil de Pelotas, mas conta com uma vida dedicada ao esporte. A razão do apelido é a coleção de tatuagens espalhadas pelo corpo. Os desenhos permanentes pintados na pele foram um gosto herdado do pai.
Antes de aportar no Bento Freitas, Tatu viveu a época de ouro do vôlei brasileiro. Funcionário do Suzano, uma das equipes mais tradicionais da modalidade, trabalhou praticamente com todos os jogadores campeões olímpicos de vôlei em 1992 e 2004.
Em determinado momento, o clube se fundiu com o São Paulo e com a Ulbra para disputar a Superliga. Em 2010, a Universidade passou por uma intervenção judicial e as equipes esportivas foram desmembradas.
Daí surgiu a finada Universidade Sport Club. Ela deu lugar ao finado Canoas. O que não morreu foi a relação de Tatu com o técnico daquele time, Rogério Zimmermann.
Um ano após retornar a São Paulo para trabalhar no Guaratinguetá, seu telefone tocou. Zimmermann estava na outra ponta da linha. Era dezembro de 2012.
— Me ligou, falou que tinha um projeto bom em Pelotas, que a torcida era fantástica, o clube era bom. “Vamos pegar para a gente, né?” Falei: “vambora”.
A relação com o treinador se estreitou. Os dois tinham uma espécie de esquete após as partidas. Antes de começar a entrevista coletiva, Zimmermann soltava sempre a mesma frase:
— Tatu, traz um cafezinho — pedia para, depois de receber o seu, solicitar a oferta da bebida aos profissionais de imprensa.
Aceitar o convite foi como andar em uma montanha russa constante. Tatu passou por momentos de alta. Viu o clube subir, subir, subir. Chegou à final do Gauchão. Se estabilizou na Série B do Brasileirão. Em outras épocas, estas mais recentes, o Brasil desceu, desceu e desceu até a Quarta Divisão do futebol brasileiro.
Prisão e confusão
Foi na Série D de 2014 a vivência mais emblemáticá de Tatu pelo Xavante. Mesmo com o acesso garantido para a Terceira Divisão, Londrina e Brasil de Pelotas protagonizaram uma batalha campal no Estádio do Café, em jogo pelas semifinais. Ao término da guerra, jogadores das duas equipes foram levados à delegacia.
Pelo lado gaúcho, o goleiro Eduardo Martini, o zagueiro Fernando Cardoso e Tatu foram detidos.
— Eu já estava meio que preparado ali. Quando eu vi, fui para cima dos caras e tal. Fomos parar na delegacia. Não íamos perder para eles.
Tatu, à época, não tinha tanto tempo de Bento Freitas. A bravura de ingressar na briga mostra como a sua identificação com os xavantes foi imediata.
— A torcida é fenomenal aqui, a paixão é impressionante da torcida, é diferente. O pessoal leva no coração mesmo, é tatuado no corpo, é de pai para filho. É bem gratificante saber que você fez parte de vários momentos de um clube — explica.
A paixão é impressionante da torcida, é diferente
TATU
Massagista do Brasil de Pelotas
Ter um massagista capaz de ser preso por defender um clube é das sensações mais gratificantes a serem sentidas por um frequentador das arquibancadas.