
Um bom resultado em um contexto de enchente, mas que não deve se repetir em 2025 por conta dos prejuízos da agropecuária. Assim é definido por especialistas o Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul em 2024, divulgado pelo governo estadual nesta quinta-feira (3).
A economia gaúcha cresceu 4,9% no período na comparação a 2023. O percentual gaúcho é superior ao do país, que subiu 3,4% em 2024. Em 2023, a economia gaúcha havia crescido 1,7%.
— Esse índice é muito bom dada as circunstâncias da enchente. Geralmente, o PIB do RS varia em relação ao do Brasil por causa da agropecuária. Se a safra é favorável, o RS cresce mais do que o Brasil; do contrário, cresce menos. Em 2025, o PIB do RS deve crescer mais próximo do ritmo do Brasil, desde que não tenhamos nenhuma intempérie — diz Christian Kuhn, doutor em economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e consultor do Instituto Profecom.
O destaque do campo
O principal destaque do PIB gaúcho foi o setor agropecuário, que registrou alta de 35% na comparação com 2023; a soja puxou o índice, com uma safra 43,8% maior no ano passado.
Segundo Antônio da Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), a análise do resultado do setor precisa considerar contexto climático vivido no RS nos últimos anos.
— Estiagens são muito mais danosas do que enchentes em termos de perdas. Ou seja, foi um ano ruim (2024) comparado com um ano péssimo (2023), por isso o crescimento. Ficamos ainda bem longe da atividade de 2021 — disse.
Segundo o estudioso, em 2025 a expectativa é de que haja uma “queda severa” do setor agropecuário por conta da estiagem vivida no Estado neste ano, o que deve frear o crescimento do PIB.
— A safra deste ano será um desastre: vamos perder ao menos 11 milhões de toneladas de soja, 44% da produção da nossa principal cultura — estima.
Indústria decepcionou
O resultado do PIB gaúcho ficou acima do projetado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), que estimou, em dezembro, aumento de 4,1% em 2024.
A crise climática no Estado, porém, prejudicou o resultado da indústria, que apresentou redução de 0,4%, influenciada pelo recuo de 2,5% da indústria de transformação, setor industrial mais representativo do segmento.
— Nossa estimativa era de um desempenho próximo a 1% na indústria. A confirmação da queda de 0,4%, praticamente uma estabilidade, evidencia o ano tão difícil que tivemos. Explicamos essa queda e frustração pela perda de força, no quarto trimestre, da indústria de transformação, que teve diversos segmentos ativados por conta do movimento de reconstrução e da concentração de recursos principalmente no terceiro trimestre — explica Giovani Baggio, economista-chefe da Fiergs.
Antes da divulgação oficial do PIB gaúcho, a entidade tinha previsão de alta de 3,3% no RS e 2,1% no Brasil em 2025. Um novo estudo será feito considerando o momento, principalmente do campo do RS.
— A estiagem, que prejudica a produção de grãos, impacta também na indústria, no custo de insumos para produzir alimentos, na venda de máquinas agrícolas e na renda de municípios. Por isso, provavelmente vamos fazer uma revisão para baixo (da previsão do PIB no RS), do crescimento do agro, da indústria e dos serviços — acrescenta Baggio.