
O jornalista Paulo Egídio colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Uma controvérsia sobre a votação para a presidência da Câmara de Vereadores gera instabilidade política desde o início do ano em Boqueirão do Leão, no Vale do Rio Pardo. Mesmo em minoria, a bancada governista conseguiu eleger a presidente da Casa em razão da anulação dos votos de vereadores da oposição.
A celeuma ocorreu na instalação da legislatura, em 1º de janeiro. Por ser a mais velha entre os eleitos, Dalvina Reginatto (MDB), aliada do prefeito Paulo Joel Ferreira (MDB), foi indicada para presidir a sessão que elegeria a Mesa Diretora da Casa.
Em maioria, a oposição, formada por PDT e PL, planejava eleger Edson Jonas da Silva (PDT) para a presidência. No entanto, Dalvina declarou nulos os votos dos oposicionistas, alegando que as cédulas de papel utilizadas não haviam sido rubricadas por ela. Com os quatro votos da bancada do MDB, a vereadora se declarou presidente da Casa.
Após bate-boca, os integrantes da oposição se retiraram da sessão e ingressaram com uma ação judicial pedindo anulação da eleição. O pedido de liminar foi negado em primeira instância, mas o processo segue tramitando, e o Ministério Público deu parecer favorável à anulação.
O vereador Luiz Claudio Carlesso (PDT) afirma que o episódio foi ilegal e fraudulento.
— Até virou chacota aqui na cidade. Como é que cinco perderam para quatro? — diz Carlesso.
Procurada, Dalvina não atendeu os telefonemas nem respondeu a mensagem enviada pela coluna.
Com 6,2 mil habitantes, Boqueirão do Leão paga aos vereadores um salário de R$ 4,1 mil por mês. O presidente ainda recebe uma gratificação adicional de cerca de R$ 600.