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O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
A Justiça Federal negou pedido liminar do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) para barrar a transferência do serviço de ginecologia do Hospital Conceição para o Hospital Fêmina.
Decisão da juíza Marciane Bonzanini emitida nesta sexta-feira (28) argumenta que, ao contrário do que alegou o Simers, o serviço não será descontinuado, apenas ofertado em outra unidade do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) – e a mudança geográfica não causaria grave risco aos usuários, o que não justificaria uma intervenção judicial.
No despacho, a magistrada reconhece que a transferência do serviço "provavelmente foi tema de estudos da administração do GHC, com possível utilização de recursos públicos na adaptação das unidades".
Com isso, está garantida a transferência da ala ginecológica para o Fêmina, marcada para começar neste sábado (1º). A decisão de fazer a mudança é do próprio GHC, que administra as duas instituições.
O objetivo do Conceição é consolidar o Fêmina, localizado no bairro Independência, como referência no atendimento às mulheres. Além disso, o grupo argumenta que a instituição ganhou mais espaço após a transferência de pacientes oncológicos para o novo Centro de Oncologia e Hematologia do Conceição, inaugurado em agosto do ano passado.
A mudança, entretanto, não afeta os serviços de obstetrícia, que continuarão sendo realizados no Hospital Conceição. Além disso, segundo o diretor-presidente do GHC, Gilberto Barichello, mesmo casos de emergências ginecológicas terão o atendimento garantido no Conceição, em caso de necessidade.
— A emergência ginecológica (no Conceição) está fechada desde 2020. Os casos que, por acaso, chegarem serão atendidos. Inclusive, haverá alguns médicos ginecologistas que ficarão lá (no Conceição) — disse Barichello, em entrevista ao Gaúcha Atualidade.
Em contraponto, o Simers avalia que a decisão do GHC "compromete a assistência ginecológica prestada às pacientes e afeta diretamente a formação de médicos residentes". O sindicato também alega que a mudança "comprometeria a continuidade do atendimento em casos de intercorrências obstétricas e ginecológicas que necessitam de intervenção especializada, podendo acarretar riscos às pacientes".