
Ex-ministro de Minas e Energia no governo Bolsonaro, Adolfo Sachsida foi palestrante no almoço de lançamento do 38º Fórum da Liberdade, nesta quarta-feira (2). Advogado e economista, já surpreendeu ao optar por falar ao redor das mesas em vez de subir ao palco onde normalmente ocorrem as manifestações.
Fez questão de deixar claras sua discordância em relação às escolhas econômicas do atual governo – neste ano, o tema do fórum é "coragem para escolher". Mas o fez sem invalidar opções diferentes. E ofereceu uma síntese popular para as decisões tomadas nessa área:
— Política econômica é como ir ao McDonald's e comprar aqueles combos. Com sorte, troca suco por Coca. Mas escolhe a primeira rodada, o resto já era.
O que ele quis dizer é que uma escolha nessa área determina todas as demais.
Ao detalhar, Sachsida afirmou que, no governo anterior, a escolha da equipe econômica foi definir que o motor do crescimento é o setor privado. Pouco antes, havia detalhado os instrumentos usados com esse foco: abertura da economia, redução de tributos, privatizações e redução da dívida pública.
— A economia brasileira estava ganhando tração, produtividade.
A concepção do atual governo, afirmou, é de que o motor do crescimento é o governo.
— É uma escolha legítima que muita teóricos keynesianos e neokeynesianos sustentam. Vai aumentar gasto, então tem de elevar tributos e expandir o papel dos bancos públicos. Em 2023, deu certo, em 2024, deu certo. Mas a grande pergunta é o que vai ocorrer em 2025.
Conforme Sachsida, a pergunta do momento é "para onde vamos", uma vez que o governo não quer cortar gastos e o Congresso não aceita mais aumentar tributos.
— Não discordo de o governo gastar dinheiro, embora não seja da minha corrente política. Mas não pode piorar tanto a situação da dívida. A deterioração não pode ser tão rápida. Isso me lembra o período em que começou a ficar complicado, entre 2014 e 2015, quando o governo soltava suas contas e ninguém acreditava, cada um fazia as suas.
Citou o exemplo do resultado do déficit primário de 2024, que foi de 0,1% para efeito de alcance da meta fiscal de desequilíbrio zero, mas foi maior sem os expurgos – que incluem a ajuda ao Rio Grande do Sul. Haveria ainda, disse, cálculos independentes de déficit de até 0,9% do PIB.
Afirmou, ainda, que no governo anterior a dívida foi reduzida, mas não citou o expurgo (ou calote) dos precatórios, que contribuiu para esse resultado e deixou uma conta para o governo seguinte pagar.
Depois de celebrar os avanços tecnológicos alcançados no governo anterior, que tiveram contribuição dos gaúchos Paulo Uebel e Gustavo Ene, Sachsida voltou a surpreender ao encerrar sua palestra com um alerta:
– Temos um desafio nos próximos cinco anos. Estamos acomodados, achando que mudanças tecnológicas não geram desemprego. Mas vejo a inteligência artificial (IA) como a mudança dos anos 1950 ou até a revolução industrial.
E provocou:
— O que vem por aí, com as novas tecnologias, é um desemprego muito grande de longo prazo. Quanto tempo vai levar para substituir médicos por IA? Se eu estivesse no governo, estudando isso.