Chegou o Dia da Libertação de Donald Trump e o Dia do Medo para o mundo, incluindo os Estados Unidos. Com o anúncio das "tarifas recíprocas" previsto para as 17h (horário de Brasília), estudos tentam prever os efeitos da guerra comercial em meio à falta de informação que levou até a porta-voz da Casa Branca – pessoa encarregada exatamente de tentar tirar dúvidas sobre os rumos do governo – a dizer que "em seu entendimento" as sobretaxas para produtos importados pelos EUA.
Então, mesmo frisando que as análises são baseadas em suposições – diante da falta de informações –, é bom saber quais as consequências projetadas. Um estudo do Instituto das Economias em Desenvolvimento, ligado à respeitadas Organização de Comércio Exterior do Japão (Jetro, na sigla em inglês), prevê queda de 0,6% no Produto Interno Bruto (PIB) mundial em 2027. Isso significa uma perda de US$ 763 bilhões.
Caso o pior cenário se configure – tarifas de 25% dos EUA sobre todas as importações, seguidas de retaliações equivalentes dos países afetados – a perda se elevaria a US$ 1,4 trilhão na economia mundial. Detalhe: com forte alta de preços nos EUA. As consequências são comparadas à guerra comercial de 1930 que aprofundou a Grande Depressão nos EUA e provocou a famosa queima de café no Brasil.
O tamanho do impacto vai depender da graduação que Trump der a suas "tarifas recíprocas". O presidente dos EUA tem afirmado que não vai se restringir a igualar as alíquotas cobradas sobre a entrada de produtos estrangeiros em seu país às cobradas no ingresso de mercadorias americanas no resto do mundo.
O objetivo principal seria punir países que têm maior superávit com os EUA, ou seja, os que vendem mais do que compram dos americanos. Caso se restringisse a isso, o Brasil poderia ser poupado, uma vez que tem déficit, ou seja, importa mais do que exporta aos EUA.
Para o Brasil, o maior risco está em produtos específicos, como o etanol, cuja tarifa nacional de 18% é apontada por Trump como responsável pela paralisação dos negócios no segmento entre os dois países. Outro grande temor é em relação ao aço, que já está taxado em 25% adicionais e está sob ameaça de receber mais uma camada de tarifa.
Outro flanco aberto da política comercial brasileira são as chamadas "barreiras não-tarifárias", ou seja, obstáculos à entrada de importados que não usam tarifas alfandegárias, mas regras técnicas ou sanitárias – instrumento usado à exaustão tanto pelos EUA quanto pela União Europeia.
Leia mais na coluna de Marta Sfredo