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O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
A Copelmi Mineração está desistindo de dois projetos ligados ao carvão no Rio Grande do Sul: a térmica Nova Seival, que seria instalada entre Candiota e Hulha Negra, e a Mina Guaíba, para extrair mineral entre Charqueadas e Eldorado do Sul.
A usina na região da Campanha previa investimento de cerca de US$ 1,3 bilhão (R$ 7,5 bilhões na cotação atual), com potência de 726 megawatts (MW). Houve acordo para desistência com a empresa Energia da Campanha, que era parceira no projeto.
O aporte estimado para a Mina Guaíba era de cerca de R$ 200 milhões. A pretensão, conforme o diretor de sustentabilidade da Copelmi, Cristiano Weber, era formar um polo carboquímico na Região Metropolitana, com investimento previsto de cerca de US$ 2 bilhões (R$ 11,6 bilhões).
— O motivo para desistência está ligado ao processo de transição energética que a Copelmi está conduzindo, alinhado a todas as diretrizes internacionais. A empresa resolveu abrir mão dos dois projetos, porque sabe que não existe ambiente para isso. Decidimos por não ampliar as operações, mas manter os atendimentos que já temos — afirma Weber.
Houve a formalização do encerramento do processo de licenciamento da térmica Nova Seival no Ibama. Conforme a autarquia, a análise técnica havia identificado "lacunas significativas no diagnóstico ambiental, na caracterização dos impactos e nas propostas de medidas mitigadoras".
O Ibama informa que "a ausência de informações essenciais impediu uma conclusão definitiva sobre a viabilidade ambiental do empreendimento".
Quanto à Mina Guaíba, a desistência teve de ser comunicada à Justiça Federal e à Fundação Estadual de Proteção Ambiental, que já havia arquivado o processo de licenciamento do projeto em 2022. À época, houve avaliação da Justiça Federal de que seria necessária uma análise conclusiva da Fundação Nacional do Índio (Funai) sobre possíveis impactos na aldeia indígena próxima ao empreendimento.
Weber afirma que a Copelmi poderia recorrer às decisões, mas não o fez por pretender "prosseguir a estratégia de transição energética".
*Colaborou João Pedro Cecchini