
No dia 24 de março, os argentinos reservam momentos de reflexão e também de protestos nas ruas, lembrando das vítimas da ditadura que comandou o país entre 1976 e 1983. Um período relativamente curto, mas doloroso e de ataques à liberdade e a quem se opunha ao regime.
Os números oficiais falam de 8.631 mortes. Porém, o próprio registro unificado de vítimas do terrorismo admite que esse número é muito maior.
Todos os anos, neste 24 de março, os clubes argentinos promovem ações que vão desde postagens nas redes sociais até entregas simbólicas de carteiras de sócios das vítimas aos familiares.
Infelizmente, esse mesmo engajamento não se repete no Brasil. Até as 18h desta terça-feira, data do golpe de Estado que mandou o Brasil a um período cinzento e fez muitas vítimas, apenas cinco clubes da Série A fizeram registro pedindo que esses dias de trevas nunca mais voltem.
O primeiro foi o Vasco, reconhecido pela sua história corajosa em que rompeu barreiras do preconceito racial. No post, o clube carioca escreveu logo abaixo da cruz de malta: "Ditadura nunca mais".
Em seguida, o Botafogo, ironicamente comandado por um investidor norte-americano, seguiu na mesma linha.
O Bahia, de posicionamentos sempre firmes e lúcidos em temas diversos, publicou em sua conta no X um post com trecho de Pra não dizer que não falei das flores, música que virou hino de contestação à ditadura nos anos de chumbo.
O Corinthians rememorou a Democracia Corintiana, movimento do clube em 1980 no qual compartilhou com os jogadores as decisões do time: "Ganhar ou perder, mas sempre com Democracia", escreveu numa ilustração em que há o punho cerrado de um torcedor cujo braço exibe tatuagem de Sócrates, símbolo daquele período.
Por fim, o Sport publicou em suas redes imagem com a frase "Ditadura nunca mais — para que nunca se esqueça", para que nunca se repita.
São ações que merecem aplausos e que deveriam servir de inspiração. Apenas 25% dos clubes da Série A é um número reduzido para lembrar a todos que ditadura, nunca mais.