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Ficou muito longe, muito longe mesmo, do começo de Brasileirão sonhado pelo Grêmio. Em uma temporada em que o clube colocou o campeonato nacional na prateleira mais alta, a estreia foi um frustrante 3 a 2 para o Ceará.
É verdade que o ataque titular (Ferreira, Diego Souza e Luís Fernando), Rafinha e o técnico Tiago Nunes ficaram de fora por covid. Acrescente-se à lista mais dois casos de jogadores (Pedro Lucas, Rodrigues), além do preparador de goleiros, Mauri Cruz. Só que o Grêmio enfrentou o reserva do Ceará. Guto Ferreira preservou os titulares que haviam jogado uma decisão pela Sul-Americana em Cochabamba, na quinta-feira, e estão se preparando para encarar o Fortaleza, em um clássico pela Copa do Brasil no meio desta semana.
Por esse cenário, as baixas do Grêmio não explicam a primeira derrota da Era Tiago Nunes. Houve, isso sim, uma escolha errada. Que se repete. Lucas Silva compondo o meio-campo ao lado de Thiago Santos e Matheus Henrique deixa o time vagaroso e sem articulação. O que se viu no primeiro tempo foi um Grêmio que atacou pouco e se defendeu mal, mesmo com dois jogadores de características defensivas.
Guto usou de jogadores verticais e insinuantes no terço final, além de Cléber, o centroavante de 1m95cm que parece se transformar contra o Grêmio. Atualmente, ele é reserva, mas repetiu no Castelão a atuação do último Brasileirão. Assim, o Ceará fechou espaços aproximando as linhas na intermediária de defesa e saiu em alta velocidade. Fez 2 a 0 e, não fosse Brenno, teria feito mais no primeiro tempo.
O Grêmio teve boas individualidades, como Vanderson. Aliás, além de um gol, ele iniciou a jogada do segundo, que teve lance individual de Léo Chú como um ponteiro-esquerdo à moda antiga. A entrada de Jean Pyerre no intervalo fez com que o time tivesse mais mobilidade e até equilibrasse as ações. Fica essa lição.
A derrota veio no final, em lance de desatenção de Brenno, que parou para pedir impedimento. Mas havia evitado o pior no primeiro tempo. Não foi por ele que o Grêmio perdeu para os reservas do Ceará. Tiago precisa, rapidamente, rever sua insistência em um meio-campo, teoricamente, mais consistente. E menos criativo.