
Em primeiro lugar, não, não estou sem luz em casa. Por sorte, o temporal de segunda-feira (31) não me afetou. Dessa forma, não falo por interesse próprio. Mas, por óbvio, já enfrentei falta de energia. Então, falo com conhecimento de causa.
Logo que identifica o problema, o cliente manda mensagem para a Clara, a atendente virtual da CEEE Equatorial. Prontamente recebe sua resposta, querendo saber a Unidade Consumidora. Faz uma ou outra pergunta mais e comunica:
"Nossa equipe já foi informada sobre a situação e em breve você será atendido."
A partir daí, não importa quantas vezes mais o consumidor entre em contato com ela, a resposta será sempre a mesma. Tanto faz se a procura for 5 minutos ou 24 horas depois.
"Nossa equipe já está trabalhando para te atender, tá bem? Vou pedir pra você aguardar enquanto faço o possível pra acelerar o seu atendimento. Até mais! 😉"
Nem uma palavra sobre estimativa de retorno da energia elétrica. Nada.
Sem saber se a luz volta em breve ou em uma semana, o consumidor não sabe se tira os produtos da geladeira, se procura auxílio na casa de parentes. Fica, literalmente, no escuro.
Em entrevista ao Timeline desta terça-feira (1), o diretor-presidente da CEEE Equatorial, Riberto Barbanera, informou que não há como dar previsões individualizadas.
- Qualquer previsão que eu fornecer naquele momento não tem um pingo de compromisso com o meu cliente. É zero compromisso - disse Barbanera.
Barbanera disse que só há como ter uma noção de previsão quando as equipes chegam ao local, que deixa uma região toda sem eletricidade. Mesmo, então, quando a empresa já tem uma percepção de quando a luz retornará, se a Clara for procurada, o consumidor terá a mesma resposta de que as equipes estão trabalhando.
Ou seja, a Equatorial segue não dando previsão, mesmo já sabendo qual é a estimativa de retorno da energia. Isso também é não ter um pingo de compromisso com o cliente.
Antes da concessão, a CEEE pública dava uma estimativa de retorno da luz. E revisava a previsão se o caso fosse complexo.
Não estou dizendo que a empresa antes da concessão era melhor. Só estou dizendo que, mesmo com todos os problemas que a estatal enfrentava, esse compromisso com a informação não faltava.
A justificativa dada por Barbanera é que o sistema anterior não permitia uma interação com inteligência artificial. Ou seja, evoluímos na tecnologia e involuímos na necessidade de dar uma satisfação ao consumidor. Isso não está certo.