
Daniel Alves já estava cumprindo pena em liberdade provisória. Agora, está livre das acusações de estupro pelas quais foi julgado e condenado na Espanha. Enquanto a Promotoria pedia um aumento da pena, o recurso absolve totalmente o ex-jogador. Na nova decisão, o Tribunal Superior da Catalunha entende que houve inconsistências no depoimento da vítima — que agora vira suposta vítima.
Quero chamar atenção para um direito que somente homens parecem ter perante essa justiça, que é o da contradição. Digo isso porque a mulher disse desde o começo que fora abusada por Daniel Alves. Já ele, mudou sua versão três ou quatro vezes. Chegou a declarar a essa mesma justiça que sequer conhecia a mulher. Que nunca a viu antes. Depois lembrou, vejam só, que teve relação sexual com ela.
Repito: ela seguiu firme na versão de que achou que estava na porta de uma área VIP e quando entrou era um banheiro, onde conta que foi abusada. As imagens mostram que os dois ficaram por minutos no local. O segurança e outros funcionários da boate contaram que retiraram a mulher chorando de lá. Os exames mostraram sêmen na vagina da jovem. Mas a justiça espanhola agora diz que faltaram elementos e que o depoimento dela não era confiável. Não exatamente por ela ter mentido, mas porque nem tudo foi verificado.
A defesa de Daniel Alves obteve êxito. Mesmo ele dizendo que “nunca vi essa senhora antes”, depois repentinamente lembrou que entrou no banheiro com ela, mas negou qualquer relação lá dentro. Em outra versão, ao se deparar com imagens da boate, acabou lembrando (que homem esquecido!) que teve relações sexuais, mas jurou que foram consensuais e que não contou antes para não se complicar com a esposa. No dia do julgamento chorou dizendo que bebera demais naquela noite. Para a justiça espanhola, somente Daniel Alves tem o direito de contradição.