
Não deveria ser surpresa para o governo Lula os baixos índices de satisfação dos brasileiros em relação aos dois primeiros anos de mandato. Um candidato que prometeu muito, fez pouco e agora, às vésperas das negociações para as eleições de 2026, se deu conta de que precisa melhorar a comunicação e cumprir promessas. No Rio Grande do Sul, 66% dos entrevistados desaprovam o desempenho do governo.
No auge da enchente, quando disse que ninguém ficaria sem casa e concedeu auxílio para a reconstrução. Não podemos ser injustos de dizer que as medidas não ajudaram, mas no quesito habitação, ficaram abaixo da expectativa em meio a uma crise jamais vista. As pessoas esperavam processos céleres, mas a prática é com burocracias e demora.
Na campanha, a promessa emblemática era a da “picanha na mesa de todo brasileiro”. Sabemos que o Brasil estava dividido e entendo que a vitória de Lula não foi um cheque branco para o petista, ao contrário. Os eleitores dele estavam mais contra uma continuidade de Bolsonaro no poder do que necessariamente apoiando Lula.
A realidade é que dois anos depois todo brasileiro que frequenta mercados sabe que o café, os ovos, o óleo e a carne estão mais caros. Nem tudo somente pela situação do Brasil, mas pela conjuntura da economia mundial, também preciso ser justa. Mas como o governo trata isso tudo é errado. Lula e seus ministros patinam em medidas e ações que precisam de agilidade.
Lá atrás, a esquerda errou ao se afastar das pessoas. O mesmo acontece agora, quando o presidente se dedica a temas e viagens internacionais, que são importantes, mas que não podem deixar um governante longe dos problemas reais das pessoas. O que elege um político é a necessidade da população, o poder de compra, a qualidade de vida. Mas parece que a esquerda de Lula não aprende mesmo. Não tem comunicação boa que resolva a falta de realizações e entregas.