
O homem acusado de espancar até a morte o aposentado Linton Ferreira, 46 anos, na Rua General João Telles, bairro Bom Fim, em Porto Alegre, será julgado pelo Tribunal do Júri na próxima terça-feira (8). Ismael Vezner dos Santos é acusado pelo Ministério Público de homicídio qualificado, por meio cruel.
Conforme a acusação, o crime ocorreu na madrugada do dia 4 de junho de 2022, em um local onde tradicionalmente há circulação de pessoas nos arredores de festas e bares aos finais de semana. Morador de Canoas, Linton tinha esquizofrenia e sofria com convulsões. Na noite anterior ao crime, ele teve dois episódios de convulsões em casa. Ainda confuso, embarcou em um ônibus até o Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, onde foi orientado a buscar outro local.
Nesse meio tempo, passou pela Rua João Telles, onde a briga ocorreu. Segundo a denúncia do Ministério Público, a agressão começou porque Ferreira disse as expressões "capeta" e "diabo", o que desagradou Santos, que começou a agredi-lo. O crime foi gravado por dezenas de pessoas que estavam na rua.
Testemunhas narraram que o réu demonstrava intensa agressividade e impedia que outras pessoas se aproximassem para ajudar a vítima. Durante as agressões, Linton recebeu chutes na cabeça e teve parte da orelha arrancada.
No processo, a defesa do réu pediu um incidente de insanidade mental, que demonstrou que ele tinha condições de entender os crimes cometidos. A defesa também solicitou a desclassificação do crime, para lesão corporal seguida de morte.
Em depoimento, Santos confirmou que houve uma briga entre os dois, mas negou que tinha intenção de matar a vítima. Também disse que estava bebendo vodka pura e que não sabia que tinha provocado a morte da vítima. O réu está preso preventivamente desde a época do crime.
Contraponto
"A defesa do acusado, composta pelos advogados Ariel Garcia Leite, Ariel Santos Cardoso e André de Oliveira Carús, ressalta que já obteve o afastamento de duas das três qualificadoras constantes na denúncia através de recurso manejado junto ao Tribunal de Justiça, o qual foi julgado ainda em setembro de 2024. Desse modo, a denúncia apresentada (de homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil, com emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima) não prosperou em sua integralidade depois do filtro realizado pelo Poder Judiciário na primeira fase do procedimento do júri. Não desconhecendo a repercussão do caso, a defesa está preparada para o julgamento pelo Tribunal do Júri que ocorrerá na próxima terça-feira."