
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, afirmou na tarde desta sexta-feira (4) que considera disputar uma das vagas do RS ao Senado em 2026, caso uma candidatura presidencial não se viabilize. Leite destacou que a partir do segundo semestre deve começar a definir com mais clareza seus objetivos políticos para o próximo ano.
— Não é descartado para mim uma eventual candidatura ao Senado. É uma das formas de contribuição com o Rio Grande do Sul e com o Brasil, mas essa decisão vai ficar mais para a frente. No meu caso, há ainda um processo de reconstrução do Estado, que exige a minha atenção plena para reconstruir pontes, reconstruir lugares, ajudar as pessoas que foram afetadas — destacou Eduardo Leite.
— Tem um processo eleitoral, o povo soberanamente vai tomar essa decisão sobre os seus rumos. O Brasil estará em jogo, os Estados estarão, seus destinos serão definidos, e eu vou buscar o caminho onde melhor possa contribuir. Olho para a eleição presidencial, mas com toda a liberdade e toda a condição de construir caminhos — complementou o governador gaúcho.
Leite participou nesta tarde da 38ª edição do Fórum da Liberdade, em Porto Alegre. Ele esteve ao lado de Romeu Zema, governador de Minas Gerais, em um painel que discutiu o futuro do Brasil.
Quando o nome de Leite foi anunciado para o início do painel, ouviu-se um misto de vaias e aplausos vindos da plateia. Zema, por outro lado, foi efusivamente aplaudido.
As vaias a Leite fizeram Paola Coser Magnani, presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) e mediadora do painel, afirmar que "este é o palco do Fórum da Liberdade, e liberdade exige que a gente saiba ouvir". Mesmo assim, Leite foi novamente vaiado quando se dirigiu ao púlpito para iniciar a sua fala.
Antes de começar sua apresentação, o governador gaúcho lamentou o acidente de ônibus que causou mortes na cidade de Imigrante, no final da manhã desta sexta-feira. Leite pediu um momento de silêncio à plateia, que atendeu ao pedido.
Quando iniciou a sua fala, o tucano destacou algumas reformas internas que fez após assumir o governo do Estado, como a reforma da previdência e a reforma administrativa. Lembrou que as medidas, impopulares para muitos, fizeram milhares de gaúchos protestarem às portas do Palácio Piratini. Por isso, reforçou o governador, "vaias não me intimidam".
Leite destacou como necessárias para o Brasil ações como reformas previdenciária, administrativa e institucional, reforço na agenda da segurança pública, investimento em educação e capital humano para aumentar a produtividade e maior abertura comercial para fomentar o ambiente de negócios do país:
— Essa agenda exige coragem para escolher, para sustentá-la diante das pressões, para aprová-la e para entregar. Por isso, não é com menos política, é com mais política, bem feita, com a régua moral mais elevada, que a gente vai construir um país capaz de superar esses desafios.
E acrescentou:
— Eu vi que muitos aqui torcem pelo Zema. Zema, se for contigo, estamos juntos. Se for com outro que a gente ache, não tem problema. O importante é que não é só sobre tirar este governo com o qual nós divergimos. Nós precisamos ter uma agenda, construir politicamente, formar coalizão e sustentar essa agenda de transformação para o Brasil.
Zema é muito aplaudido

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, era um dos painelistas mais aguardados desta edição do Fórum da Liberdade. Eleito em 2018 e reeleito em 2022, Zema é o único representante do Partido Novo já eleito para o comando de um Executivo estadual. Ele foi aplaudido pelo público diversas vezes durante sua fala.
O governador mineiro iniciou sua exposição relembrando sua trajetória como empreendedor, destacando que decidiu ingressar na política em razão da recessão econômica que o Brasil enfrentou entre 2015 e 2016.
— Quem viveu sabe que foi a maior recessão da história do Brasil. Agora, o pior não foi ter sido a maior recessão da história não, foi que nos anos de 2015 e 2016 o Brasil foi o único país do mundo que afundou. Por causa de corrupção, por causa de mensalão, por causa de petrolão, por causa de mala de dinheiro. O mundo crescendo e o Brasil regredindo por questões políticas. Isso é o que me fez amadurecer politicamente — destacou.
Zema também enfatizou reformas e medidas que adotou após assumir o cargo. Ele ressaltou que Minas Gerais é hoje o Estado brasileiro com o menor número de secretarias, 14, e também afirmou que reduziu cerca de 50 mil cargos entre autarquias, empresas estatais e de administração direta.
Ao final de sua fala, o governador mineiro também compartilhou sua visão sobre o que deveria ser feito para que a administração brasileira se tornasse mais eficiente:
— O principal ponto que o Brasil precisa é acabar com a gastança. Nós temos hoje um governo que acredita que quanto mais gasta, maior é o crescimento econômico. E nós sabemos que gastos elevados significam mais inflação, aumento na taxa de juros, e aumento na taxa de juros, isso é pouco falado, mas significa concentração de renda. Quem que ganha com aumento na taxa de juros? Aquele que tem recursos aplicados. A maioria da população, que tem dívida, só perde.
Debate ao final do painel
Após as manifestações individuais, teve início o debate com os dois governadores, que responderam perguntas da mediadora do painel e também da plateia. Em âmbito estadual, os dois gestores afirmaram que vão trabalhar para que seus sucessores no cargo, a partir de 2027, sejam seus vice-governadores — Gabriel Souza no RS e Mateus Simões em Minas Gerais.

Falando sobre a eleição presidencial que será realizada no próximo ano, Eduardo Leite defendeu que "o Brasil não pode ficar refém desta polarização destrutiva".
— A gente não precisa optar entre retrocesso civilizatório ou econômico, essa é a liberdade que eu defendo. E acho que todos sabem, para alguns isso torna desconfortável a relação comigo, sinto muito, mas é que eu não acho que a política seja binária, não é Lula ou Bolsonaro. O Brasil tem grandes quadros, que podem esperar de mim, na minha posição, a busca para essa eleição de 2026, ajudar a construir essa iniciativa — afirmou Leite.
Zema, porém, reiterou o desejo de que Jair Bolsonaro, atualmente inelegível, possa concorrer em 2026:
— Eu sou muito preocupado com essa polarização que ele (Leite) mencionou. O meu apoio ao Bolsonaro é muito em virtude de ele ser o grande líder da direita no Brasil, quem resgatou a direita. Torço para que ele recupere os seus direitos políticos totalmente. E fico feliz, Eduardo, de saber que, caso isso não aconteça, nós temos diversos bons nomes da direita no Brasil, diferente da esquerda, que é incompetente até em formar sucessores.