
A primeira sessão plenária da Câmara Municipal de Porto Alegre após o temporal de segunda-feira (31) foi marcada por críticas aos serviços prestados pela CEEE Equatorial e por pedidos para que a cidade esteja mais preparada para episódios extremos. Diferentemente de outros momentos políticos, as falas partiram também de vereadores de partidos aliados do prefeito Sebastião Melo.
O temporal deixou cerca de 260 mil pessoas sem energia na área de concessão da CEEE Equatorial, principalmente em Porto Alegre e Eldorado do Sul. Na manhã desta quarta (2), ainda havia pontos sem luz na Capital.
— Quando precisamos, mais uma vez, do serviço público e nos sentimos de mãos atadas, a paciência se esgota. Eu mesmo fiquei sem luz e sem água por mais de 24 horas. Mas não reclamo por mim, mas pela população que já soma mais de 48 horas nesta situação — disse Gilson Padeiro (PSDB).
O vereador da base aliada emendou:
— Até quando vamos depender da sorte? Até quando vamos torcer para que o tempo colabore em vez de estarmos preparados para situações como esta?
Na mesma sessão, o vereador Gilvani, o Gringo (Republicanos), fez críticas à CEEE Equatorial e sugeriu que o município deve cobrar da concessionária os gastos que tem com o aluguel de geradores. O vereador também sugeriu que parlamentares da base e da oposição se unam para fazer cobranças à empresa.
— Tanto da base quanto da oposição: nós temos que ser unidos aqui e votar algo que bote essa empresa contra a parede. Nós estamos reféns, inclusive nós aqui, que somos representantes do povo. Eu vou falar uma coisa, com a falta de energia, o sistema de drenagem não funciona em Porto Alegre; com a falta de energia, as bombas que fazem a captação de água bruta também não funcionam, porque não estão todas com seus devidos geradores. Chegou a hora de botarmos essa empresa a pagar a conta, ela tem que colocar os geradores — disse Gringo.
O vereador do Republicanos também afirmou que os "donos" do Rio Grande do Sul, atualmente, são estrangeiros.
— Nós estamos sendo vendidos. O dono do nosso Estado é o estrangeiro, o dono do nosso Estado não mora aqui no Rio Grande do Sul. Todos eles são de fora. Do nosso povo gaúcho, nem a capacidade intelectual é explorada. É isso que me deixa indignado. Eu não aturo mais. Essa empresa tem uma defesa muito grande porque a petulância com que eles lidam com o povo gaúcho é fora do normal — apontou Gringo, ainda sobre a CEEE Equatorial.
Na sessão anterior, na segunda, a Câmara enfrentou falta de luz durante a sessão. O edifício do Legislativo fica na região central de Porto Alegre.