
A oposição ao governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, abriu uma nova frente de ataques ao Planalto utilizando como mote as transferências via Pix. O tema da vez é a decisão do Banco Central (BC) de excluir chaves Pix de pessoas e empresas que estão com situação irregular na Receita Federal.
A decisão do Banco Central foi autônoma, mas os opositores a Lula usaram as redes sociais para atribuir a medida à equipe econômica do governo.
Segundo a autarquia, a medida busca garantir que nomes de pessoas e empresas vinculadas a chaves Pix estejam em conformidade com as bases da Receita, para coibir fraudes.
Em postagens realizadas na quinta-feira (6), dia em que as medidas foram anunciadas, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltaram a endossar que a medida busca atingir trabalhadores que usam o mecanismo de transferência.
Aliados de Lula tentam impedir que a narrativa atinja os patamares da crise anterior, quando a oposição, liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), fez o Planalto recuar de medidas que buscavam aprimorar a fiscalização do Pix.
Reações
Sem citar a medida, anunciada pelo BC, na quinta Bolsonaro publicou no X (antigo Twitter) uma frase irônica: "Já fez seu Pix hoje?".
O filho dele, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fez uma crítica direta e citou a medida do BC, atribuindo a autoria ao governo federal.
— O governo Lula não se cansa nunca. Mais uma vez com medidas e arapucas para atrapalhar a vida do trabalhador — disse.
Responsável por liderar a oposição durante a crise do Pix, com um vídeo que relacionava as medidas de fiscalização a supostas novas taxas e que obteve mais de 320 milhões de visualizações no Instagram, Nikolas Ferreira disse na mesma rede social: "E lá vamos nós novamente."
O deputado federal Maurício Marcon (Podemos-RS) foi outro que atribuiu a medida autônoma do BC ao governo Lula: "O PT além de não criar nada de bom, ainda destrói o que outros criaram e deu certo."
O ex-ministro da Saúde e deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ) sugeriu que a medida vai fazer com que trabalhadores que possuem "pendências na Receita" sejam "expulsos da economia".
Pazuello foi além e disse que, futuramente, haverá "coerção" baseada em religião e opinião política. "Alegam "segurança", mas é pura coerção. Hoje é o CPF, amanhã a sua conta. E depois? Religião, opinião política", afirmou.
Resposta da base aliada
A base aliada de Lula reagiu às postagens da oposição e endossou que as postagens buscam reviver as "fake news" sobre o Pix difundidas no início do ano.
Também pelo X, a nova ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que os aliados de Bolsonaro prestam "um desserviço ao país e ao povo escalando mentiras".
"O objetivo é combater o crime organizado e a prática de golpes na internet. A oposição presta um desserviço ao país e ao povo escalando mentiras sobre a medida", afirmou Gleisi.
Outro aliado de Lula que se posicionou foi o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA), que disse que a oposição "mais uma vez tenta jogar contra quem tem honestidade".
"Estão atribuindo ao governo Lula as novas regras para uso do Pix, que nada tem a ver com pessoas e empresas que estão devendo à Receita Federal", afirmou.
Representante do Banco Central alega combate a fraudes
Quando as primeiras postagens da oposição questionando a medida foram difundidas, o chefe adjunto do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do BC, Breno Santana Lobo, afirmou que as novas regras de segurança para o Pix servem para combater fraudes e não para restringir o acesso ao meio de pagamento.
Lobo ressaltou ainda que os bancos só deverão excluir as chaves Pix se houver evidência de fraude. Caso não sigam as novas regras, essas instituições estarão sujeitas a penalidades, como multas.
— Então é uma medida bem focada no combate à fraude. Não tem absolutamente nada a ver com restringir o uso do Pix pelas pessoas — disse ele.