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O prefeito afastado de Cachoeirinha, Miki Breier (PSB), quebrou o silêncio e concedeu entrevista ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, desta segunda-feira (19), comentando, pela primeira vez, os desdobramentos das operações Proximidade e Ousadia, que lhe removeram do cargo. Segundo o Ministério Público (MP), Breier era o líder de um esquema milionário que superfaturava contratos de licitação da prefeitura da região metropolitana de Porto Alegre, envolvendo os serviços de limpeza urbana, conservação e manutenção de prédios e vias públicas entre 2017 e maio de 2021.
O político afirmou que é inocente de todas as acusações e disse não ver justificativa para o seu afastamento da prefeitura de Cachoeirinha, porque segundo ele, o Ministério Público falhou em provar a sua culpa no caso.
— Eu sou inocente de todas as imputações formalizadas pelo MP, porque fui acusado de peculato, de organização criminosa. E nada foi provado. Inclusive não teve nada de novo para que o afastamento fosse renovado. Foram 180 dias e depois mais 180. E até hoje não houve prova alguma.
Questionado sobre encontros que teria mantido com empresários envolvidos no suposto esquema, o prefeito afastado disse que tinha uma rotina de receber no gabinete todos os interessados em apresentar demandas a ele, mas que não tomava, pessoalmente, decisões sobre dispensa de licitação ou contratações, pois isso era feito pelo setor de compras da prefeitura, ligado à Secretaria de Modernização Administrativa e Gestão de Pessoas.
Embora tenha negado superfaturamento nos contratos alvos da investigação, Breier admitiu que podem ter havido "erros" na condução do processo.
— Pode ter havido (erros). Mas o que houve ali, tanto de dispensa, quanto da licitação propriamente dita foi dentro do processo legal. Eu creio que há muito mais equívoco, às vezes, de uma investigação que parece que já vem com a conclusão. A conclusão é a seguinte, é a criminalização da política. É prefeito? É bandido. Então, a conclusão já está pronta. Tudo o que fizeram de escutas, foi para confirmar a conclusão que já estava antecipadamente definida.
Questionado sobre quais erros podem ter ocorrido, acrescentou:
— Erro talvez de prazos, ou de consultar mais empresas para se colocar à disposição da licitação. Nesse sentido apenas. Não vejo outro caminho — alegou.
Em 12 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) definiu para 30 de outubro (mesma data do segundo turno das eleições gerais deste ano) a realização de eleições suplementares para escolha de novos prefeito e vice em Cachoeirinha. O prefeito afastado ainda acredita que possa retornar ao cargo, mesmo assim.
— Me parece uma insanidade, acho que é um equívoco neste caso, ter marcado uma eleição sem ainda terminar o processo que está sendo julgado. Então nós acreditamos que o TSE possa se manifestar, meio que à espera de um milagre, mesmo a eleição já marcada, mas ainda há possibilidade de retorno da chapa que foi impugnada pelo TRE — afirmou Breier.
Ouça a entrevista na íntegra: