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Uma pesquisa em Caxias do Sul busca mapear como estão as condições de saúde mental dos profissionais que atuam na linha de frente do combate ao coronavírus. O projeto é do curso de Psicologia da FSG - Centro Universitário e busca identificar o aparecimento de sinais de estresse, ansiedade e depressão entre esses trabalhadores. A primeira etapa consiste no envio de questionário aos trabalhadores, o que começou na terça-feira (18).
Outras duas etapas estão previstas. Uma delas é o reenvio desse questionário em outubro para avaliar a evolução do quadro. A outra é a chamada fase qualitativa, que ocorrerá entre esses dois períodos. Nela, serão realizadas entrevistas individuais com profissionais que tiverem interesse, com o objetivo de entender melhor a vivência deles nesse período de pandemia.
O questionário é voltado não apenas a profissionais com formação na área da saúde, mas também trabalhadores que atuam em serviços como higienização, segurança, transporte e cozinha. Para o levantamento de dados, as pesquisadoras fecharam uma parceria com o Sindicato dos Servidores Municipais de Caxias do Sul (Sindiserv) e com o Sindisaúde, que representa parte dos funcionários do setor privado. São cerca de 7 mil associados a essas entidades, mas o número de trabalhadores atuando na linha de frente do combate ao coronavírus tende a ser maior porque há os que não são filiados aos sindicatos.
Para atender aos critérios que embasam cientificamente a pesquisa, será necessário coletar informações de ao menos 500 voluntários. O projeto é liderado pelas professoras Ana Claudia Zampieri e Cássia Ferrazza Alves. Coordenadora do curso de Psicologia da FSG, Ana explica que o questionário a que os voluntários são submetidos leva em torno de 20 minutos para ser respondido. Ela conta que a sugestão para o projeto surgiu de um professor da instituição que também atua na linha de frente do combate ao coronavírus.
— A gente já tinha mais ou menos essa sensação de que a gente sabia que as coisas não vinham bem, mas a gente não tinha dados, ninguém tem dados de poder saber exatamente qual é o quadro. A gente se motivou, eu e a professora Cássia, que é a outra pesquisadora que está trabalhando comigo, a construir o projeto, submeteu ao comitê (de Ética) e as coisas foram acontecendo. Mas surgiu mais ou menos daí: da gente ter uma percepção do cenário, saber que as coisas não vêm bem, mas a gente ter curiosidade de querer saber melhor como as coisas realmente estão acontecendo.
A pesquisa será concluída até dezembro, mas resultados preliminares devem estar disponíveis em setembro.
Preocupação internacional
A saúde mental dos profissionais da linha de frente no combate à pandemia é uma preocupação internacional, devido à alta carga de horas trabalhadas e ao risco a que se submetem.
— Depois de meses operando em modo de crise, nossos profissionais de saúde estão enfrentando esgotamento, ansiedade e depressão — afirmou a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne, em coletiva de imprensa na terça-feira.
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