
O menino que ainda vive nas memórias e nas alucinações da infância em Uruguaiana, escutando as milongas e os pajadores, o adulto médico que no dia a dia é confrontado com dor e morte, são algumas das facetas que se encontram e dão ao mundo os poemas de Marco de Menezes, que lança neste sábado, em Caxias do Sul, seu mais novo livro. Será às 18h, no Zarabatana Café (Centro de Cultura Ordovás).
Como Estou Dirigindo (Urutau, 147 páginas, R$ 49,90) apresenta poemas mais longos, como costumam ser as melodias de um solista que improvisa um solo de jazz, gênero musical que Marco tanto gosta (ou por qual outro motivo seu último livro, de 2023, se chamaria "Os Ternos de Charlie Parker"?). O lançamento atual traz também poemas mais relaxados, nas palavras do autor, do que aqueles selecionados para compor Os Ternos…
- Os Ternos de Charlie Parker tinha algo sobre ter sido escrito na pandemia, com a própria doença como um tema mais presente. Em Como Estou Dirigindo aparece bastante o poeta que vive a constante tentativa de se reencantar com o mundo, que fala da inutilidade das pequenas coisas ordinárias, que dá valor para coisas que são menos consideradas no mundo - reflete Marco escorado no balcão da Banca do Simas, na Rua Marechal Floriano, onde o livro já está à venda.

Divididos em quatro partes, Saturno Sempre Leva Algo Nas Mãos, Como Se Constrói Uma Melancolia de Domingo, Ante Nossas Portas Desdentadas e O Escapista, os poemas conduzem o leitor por cenas e lugares onde habitam animais (são mais de 30 espécies) e algumas pessoas anônimas, reais ou fictícias, tendo em diversos textos, inclusive alguns dos mais saborosos, algo de crônica ou de conto em que as palavras são distribuídas em verso mais para dar ao texto a cadência do que por qualquer outro pretexto poético.
- Alguns poemas mais musicais saem da mente para os dedos de maneira que nem preciso mexer muito, enquanto outros surgem em fragmentos que depois vou trabalhar para unificar de modo a dar algum sentido que faça funcionar. É típico do poeta ser um fracassado, no sentido de que sempre recomeça por achar que na primeira tentativa ele fracassou. O poema é cruel neste sentido.
Além da sessão de autógrafos, o evento terá bate-papo com Augusto Nesi e canja musical com Felipe Gue Martini. Após o lançamento, o livro estará à venda nas livrarias Do Arco da Velha e Mercado de Ideias, além da Banca do Simas. Vendas online pelo site da editora.