
Em Passo Fundo, cerca de 400 cachorros de rua resgatados estão sob os cuidados da prefeitura — seja através de programas diretos do poder público ou em colaboração com iniciativas independentes. Núcleos de acolhimento e lares temporários são cruciais para oferecer assistência aos animais abandonados.
O problema é recorrente na cidade. Conforme o secretário municipal de Meio Ambiente, Diorges Oliveira, só em 2024 a prefeitura recebeu 1.044 denúncias de abandono e maus-tratos aos animais na cidade, número que equivale a quase três relatos por dia.
— O aumento da fiscalização e a ajuda da população em denunciar o abandono podem diminuir o número de animais errantes. Maus tratos e abandono de animais são crimes e têm punição. Não existe animal de rua, existe animal abandonado — disse o secretário.
Na esfera pública, os assuntos relacionados aos animais são tratados pela Coordenadoria de Bem-Estar Animal, que faz parte da Secretaria de Meio Ambiente. Em parceria com um albergue da cidade, a Coordenadoria tem atualmente 220 animais acolhidos. A pasta não divulgou o endereço do espaço para evitar abandonos no local.
Esses animais não estão totalmente disponíveis para adoção, explicou o secretário. O motivo: muitos dos resgatados sofreram maus tratos e são mutilados, sem condições de serem adotados. Quando atingem certa estabilidade, são repassados a protetores independentes, que ajudam a divulgar a então disponibilidade de ganharem uma nova casa.
O trabalho do "Acolhe Pet" apoia pessoas que se disponibilizam a dar lar temporário a animais resgatados e em condições de vulnerabilidade. Com cadastro prévio, a coordenadoria encaminha os animais e ajuda com R$ 109 mensais por animal resgatado, sendo o limite de até 10 animais.
Das 50 vagas abertas para participar do programa, apenas 18 foram preenchidas, e representam 180 animais amparados no momento.
O trabalho dos protetores independentes
Outras entidades trabalham por conta para resgatar animais de rua e dar acolhimento, cuidados médicos e novos lares responsáveis e seguros. Um deles é o Ventos do Sul, que hoje toma conta de 48 animais resgatados. Desses, 20 estão em lares temporários, e o restante no sítio do grupo.
Diariamente os membros da entidade se revezam para alimentar, limpar, medicar e brincar com os cães, além de se deslocar para ajudar em novos resgates diários. Em muitos casos, são animais vítimas de maus-tratos e demandam atenção e cuidados médicos para a sobrevivência.
— Sinto que é como "enxugar gelo": não são todos que ajudam para que essa situação mude. É uma missão que só quem vive entende. Todos precisam se dar conta que podem fazer algo, que tem um cantinho para adotar, e o poder público precisa "chegar junto" nesta missão — disse a protetora independente e coordenadora do grupo, Luciane Borowsky.
O grupo recebe doações de ração, disponibilidade de lar temporário ou adotar os animais. As doações financeiras podem ser feitas pela chave Pix 882.688.960-00. Quem deseja adotar um amigo ou doar itens também pode contatar Luciana pelo WhatsApp (54) 9 9609-5495.
Voltada aos felinos, a Adote Um Gatinho é responsável por cuidados desde o resgate até a adoção e castração dos animais. Com doações em dinheiro e rações, o projeto trabalha com lares temporários para dar atenção aos bichinhos que ainda não foram adotados.
Conforme uma das voluntárias, Elisandra Becker, a organização tem uma média de 3,5 mil gatos ajudados a cada ano. A grande rotatividade e rapidez é um dos objetivos do grupo, para evitar acúmulo de bichinhos e possível proliferações de doenças.
— Temos três pessoas que são lares fixos e os demais são esporádicos. É quase um amor cego: é preciso gostar e estar disposto a abdicar de tudo por uma causa, você não tem tempo para mais nada, só para cuidar deles.
Todo o trabalho é bancado com recursos das próprias voluntárias ou de doações. Para ajudar, o grupo aceita doações financeiras via pix adoteumgatinhoppf@gmail.com. No Instagram @AdoteUmGatinhoPF são divulgadas as fotos dos animais disponíveis para adoção, ou lares temporários.