- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anuncia nesta quarta-feira (2) uma série de medidas econômicas no chamado "Dia da Libertação";
- O pacote de "tarifas recíprocas" busca igualar as alíquotas aplicadas em outros países e deve afetar todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos, incluindo o Brasil;
- Segundo um memorando distribuído pela Casa Branca, os novos impostos seriam personalizados para cada parceiro comercial dos EUA;
- Trump acredita que a aplicação de tarifas recíprocas atrairá para os EUA investimentos produtivos e empregos;
- A medida poderá impactar as exportações e importações brasileiras, com reflexos na economia.
- O Congresso brasileiro analisa um projeto de para retaliar as possíveis tarifas, o "PL da Reciprocidade"
Acompanhe as informações da reportagem:
Histórico de tarifas
O anúncio faz parte de uma série de tarifas aplicadas pelo presidente dos EUA desde o início de seu segundo mandato, em janeiro. Algumas delas incluem:
- Tarifa de 25% sobre qualquer país que importe petróleo e/ou gás da Venezuela;
- Tarifas adicionais de 20% sobre a China;
- Tarifas sobre medicamentos farmacêuticos importados, ainda a serem definidas;
- Tarifa de 25% sobre a importação de aço e alumínio, já em vigor desde 12 de março;
- Tarifas de 25% sobre algumas das importações vindas do México e do Canadá e que não se enquadrem no USMCA (acordo comercial que existe entre os três países).
O que são tarifas recíprocas?
No universo do comércio, o termo "recíproco", geralmente se refere a medidas adotadas por ambas as partes para garantir justiça no comércio bilateral.
Nos EUA, a Reciprocal Trade Agreements Act (Lei de Acordos Comerciais Recíprocos), de 1934, marcou o fim de uma era protecionista e permitiu que o país e seus parceiros negociassem tarifas mais baixas para seus produtos.
Na terça-feira (1º), Trump insistiu que as tarifas terão efeito "imediato", segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. O presidente de 78 anos mantém os detalhes de seu plano em segredo.
Reação do Brasil
Preocupado com o impacto no país, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) aprovou na terça-feira o projeto de lei que torna obrigatório o cumprimento de padrões ambientais recíprocos por parte dos países com os quais o Brasil tem comércio. O "PL da Reciprocidade" abre margem para o país retaliar tarifaços anunciados por Donald Trump.
A matéria foi encaminhada à Câmara dos Deputados, que aprovou nesta quarta-feira (2) um pedido de urgência para votação do projeto, sem passar pelas comissões.