
O terremoto que devastou o Mianmar deixou 2.886 mortos, anunciou nesta quarta-feira (2) a junta militar que governa o país asiático. O balanço indica que 4,6 mil pessoas ficaram feridas e outras 373 seguem desaparecidas.
As possibilidades de encontrar sobreviventes são cada vez menores, mas o resgate de dois trabalhadores entre os destroços de um hospital de Naypyidaw, a capital, aumentou as esperanças.
Atordoado e coberto de poeira, mas consciente, um jovem de 26 anos foi retirado por uma passagem aberta entre as ruínas e resgatado em uma maca no meio da noite.
Além do número de vítimas, o terremoto de magnitude 7,7 de sexta-feira (28) causou destruição generalizada no país, já devastado por quatro anos de guerra civil.
Conflitos militares
Junto ao balanço do terremoto, o grupo ainda anunciou a retomada de suas "atividades de defesa" contra grupos rebeldes.
Três grandes grupos armados de minorias étnicas anunciaram na terça-feira (1º) uma pausa de um mês nos conflitos para facilitar a distribuição de ajuda humanitária muito necessária.
As Forças de Defesa Popular, grupo criado por dissidentes após o golpe militar de 2021, já haviam anunciado um cessar-fogo parcial após o terremoto. No entanto,o líder da junta, Min Aung Hlaing, respondeu que "atividades de defesa" contra "os terroristas" continuariam.
— Se alguns grupos étnicos armados não estão atualmente envolvidos em combate (...), estão se organizando e treinando para realizar ataques — disse, em comunicado na noite de terça-feira.
Organizações humanitárias relataram que a resposta ao terremoto foi enfraquecida pelos combates entre militares e vários grupos rebeldes do país. Também há relatos de bombardeios das forças armadas contra posições rebeldes após o terremoto.
Instalações médicas lotadas
Antes do terremoto, a Organização das Nações Unidas (ONU) calculava que 3,5 milhões de pessoas, de uma população de 50 milhões, foram deslocados pelo conflito interno, muitos deles correndo risco de fome.
Diretora de uma escola religiosa em Sangain, cidade mais próxima do epicentro do terremoto, Ayethi Kar, 63, lamenta a falta de auxílio.
— Não temos ajuda suficiente — desabafa.
As equipes de resgate relataram que uma em cada três casas foi destruída na cidade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A poucos quilômetros, em Mandalay, a segunda maior cidade de Mianmar, com 1,7 milhão de habitantes, o terremoto sacudiu várias casas, igrejas, hotéis e grandes condomínios de apartamentos.
As instalações médicas, com capacidade limitada e danificadas pelo terremoto, estão "sobrecarregadas com um grande número de pacientes", e os suprimentos de comida, água e remédios estão acabando, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O choque foi tão forte que foi sentido em Bangcoc, capital da Tailândia, a 1 mil quilômetros do epicentro, onde um prédio de 30 andares em construção desabou em segundos.
Socorristas ainda trabalham entre os escombros da torre, onde 22 pessoas morreram e mais de 70 podem estar soterradas.