Os senadores americanos aprovaram neste sábado (5) um projeto orçamentário que contempla cortes abrangentes de impostos prometidos pelo presidente Donald Trump, apesar das intensas disputas internas entre a maioria republicana sobre qual será a redução realizada.
No final da noite de ontem, os legisladores votaram por 51 a 48 para aprovar a resolução, com dois republicanos proeminentes contrários à medida.
O texto agora segue para a Câmara dos Representantes, onde os republicanos possuem uma pequena maioria e os setores mais conservadores do ponto de vista fiscal criticam a versão do Senado.
A votação ocorreu no momento em que as tarifas impostas por Trump a seus parceiros comerciais provocaram uma queda global nos mercados de ações. Os democratas argumentam que agora não é o momento de contemplar uma redução significativa dos gastos públicos.
O presidente americano anunciou uma tarifa mínima de 10% sobre a maioria dos produtos que entram nos Estados Unidos, e outras taxações dependendo do país.
"O imposto tarifário do presidente Trump é uma das coisas mais estúpidas que ele já fez como presidente", disse o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, segundo a CNN.
Schumer apresentou uma emenda contra as tarifas do magnata, mas ela não recebeu apoio suficiente para ser aprovada.
Os senadores republicanos Susan Collins, do Maine, e Rand Paul, do Kentucky, se juntaram aos democratas para fazer oposição ao projeto proposto.
Mas quase todos os membros do Partido Republicano apoiaram o presidente.
Trump "quer equilibrar o orçamento e reduzir nossa dívida. Eu concordo", disse o senador Bill Cassidy, da Louisiana, em um breve comunicado.
- Gastos e cortes -
Os republicanos do Senado e da Câmara estão em desacordo sobre a extensão do corte de gastos, com os legisladores preocupados com a agitação social devido a uma redução sem precedentes da burocracia federal liderada por Elon Musk, o bilionário fundador da Tesla e conselheiro próximo de Trump.
Enquanto os senadores querem uma modesta economia de US$ 4 bilhões (R$ 23 bilhões, na cotação atual), os membros da Câmara buscam cortar US$ 1,5 trilhão (R$ 8,6 trilhões).
Ambas as casas devem adotar versões idênticas do projeto orçamentário - uma tarefa que se mostrou fora de alcance durante meses de negociações tensas - antes de poderem redigir o maciço projeto de lei de Trump que visa ampliar os cortes de impostos do primeiro mandato e aumentar a segurança nas fronteiras e a produção de energia.
"Esta resolução é o primeiro passo para um projeto de lei final para tornar permanentes os cortes de impostos que implementamos em 2017 e fazer um investimento transformador em nossa segurança fronteiriça, nacional e energética, tudo acompanhado de economias substanciais", disse o líder republicano no Senado, John Thune.
- O problema da dívida -
O plano ainda precisa da aprovação da Câmara dos Representantes, cujos líderes republicanos querem levá-lo à mesa de Trump antes que o Congresso inicie o recesso de Páscoa de duas semanas na próxima sexta-feira.
Os democratas criticaram duramente o projeto por trazer grandes cortes adicionais aos serviços essenciais.
A proposta aumentaria o limite da dívida do país em US$ 5 trilhões (R$ 29 trilhões) para evitar um calote da mesma neste verão, e adiaria outro aumento até depois das eleições legislativas de 2026.
Especialistas afirmam que os cortes de impostos - que ampliariam significativamente as reduções de 2017 - poderiam acrescentar mais de US$ 5 trilhões à dívida nacional na próxima década.
O libertário Cato Institute classificou a resolução como um "desastre fiscal" que "piora a trajetória da dívida" dos Estados Unidos.
Trump, que vem divulgando o plano nas redes sociais, ofereceu seu "apoio total e completo" ao texto durante um evento na Casa Branca na quarta-feira.
O congressista republicano Ralph Norman, da Carolina do Sul, resumiu aos repórteres: "Para mim (o texto) está morto antes de chegar" à Câmara dos Representantes.
* AFP