A ascensão de Elon Musk como o todo-poderoso aliado do presidente Donald Trump foi tão meteórica como a de um de seus foguetes SpaceX, mas ele se tornou um incômodo e sua carreira política parece estar perdendo força.
A Casa Branca minimizou a importância nesta quarta-feira (2) da notícia do veículo americano Politico, segundo a qual Trump comentou para pessoas de seu entorno que o dono de Tesla, SpaceX e da rede social X teria seu papel de consultor encerrado nas próximas semanas.
"Este furo [de reportagem] não vale nada", respondeu a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, na rede social X.
"Elon Musk e o presidente Trump declararam publicamente que Elon deixará seu cargo como funcionário especial do governo quando concluir seu incrível trabalho à frente do DOGE", a comissão de redução dos gastos federais, acrescentou.
Resta saber quando Donald Trump vai considerar que o trabalho de seu assessor bilionário estará concluído.
Por ora, Musk fomentou demissões em massa de funcionários e cortes orçamentários drásticos que acabaram sendo barrados pelos tribunais.
Na segunda-feira, o presidente republicano disse: "Acho que ele é genial, mas também acho que ele tem uma grande empresa para dirigir e que, uma hora ou outra, voltará a fazê-lo. Ele tem vontade".
Mais tarde, detalhou que os membros de seu gabinete assumirão o controle, mas não disse quando.
- 130 dias -
O contrato do homem mais rico do mundo com o governo federal tem uma duração teórica de 130 dias, desde a posse, em 20 de janeiro, até o fim de maio.
O empresário financiou generosamente a campanha eleitoral de Donald Trump e se tornou onipresente.
Ele acompanha o presidente em viagens de fim de semana. E o republicano o enche de elogios, inclusive diante de seu gabinete. Além disso, Trump não hesitou em promover a Tesla na Casa Branca exibindo vários modelos da fabricante de automóveis elétricos.
Mas isso pouco adiantou. As vendas da Tesla despencaram como consequência do ativismo e das posições categóricas de seu chefe, um defensor ferrenho dos partidos de extrema direita na Europa.
A última aventura política de Elon Musk deu errado com a eleição na terça-feira de uma juíza progressista em Wisconsin.
O bilionário se envolveu até o pescoço nessa votação local, com seu talão de cheques e participações em comícios.
Donald Trump não quis comentar o resultado, que alguns analistas interpretam como um rechaço ao aliado e uma advertência aos republicanos antes das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para 2026.
Nascido na África do Sul, Musk se tornou o alvo favorito da oposição democrata, como ficou evidente no discurso maratonista de mais de 25 horas pronunciado pelo senador Cory Booker de segunda para terça-feira na câmara alta.
Booker denunciou o envolvimento de Musk nas eleições em Wisconsin: "Vivemos em um país no qual damos aos bilionários cada vez mais meios para usarem sua riqueza para manipularem o sistema e, depois, enriquecerem ainda mais."
* AFP