Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio afirmou na segunda-feira (10) que a Ucrânia terá de ceder parte do seu território à Rússia em qualquer acordo de paz entre os países. O norte-americano se reúne nesta terça-feira (11), na Arábia Saudita, com representantes ucranianos para negociar o fim da guerra com os russos.
— Os dois lados precisam chegar a um entendimento de que não há solução militar para essa situação. Os russos não podem conquistar toda a Ucrânia e, obviamente, será muito difícil para a Ucrânia, em qualquer período de tempo razoável, forçar os russos a voltarem para onde estavam em 2014 — declarou Rubio, após salientar que Moscou também terá de fazer concessões, sem especificar quais.
O futuro dos territórios ucranianos ocupados pela Rússia, que incluem as províncias de Luhansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzia, além da Crimeia, anexada em 2014, são um dos principais impasses.
O corte temporal usado por Rubio, com referência indireta à anexação da Crimeia, pode sinalizar uma perda menor de território para a Ucrânia que as quatro províncias ocupadas atualmente, mas ele se recusou a dar detalhes das possíveis concessões.
Negociação pela paz
O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelensky, chegou na segunda-feira a Riad para discutir o futuro da guerra. Nesta terça-feira, ele deve propor um cessar-fogo no Mar Negro e uma trégua nos ataques de mísseis de longo alcance, assim como a libertação de prisioneiros de guerra, segundo a agência France Presse.
Os ucranianos também demonstrarão aos EUA que estão dispostos a assinar um acordo que dá acesso aos minerais de terras raras da Ucrânia para os norte-americanos.
"São opções de cessar-fogo fáceis de implementar e de monitorar", indicou um funcionário ucraniano de alto escalão.
Rubio considerou, na segunda-feira, a proposta promissora.
— Não digo que seja suficiente, mas é o tipo de concessão que se necessita para pôr fim ao conflito — disse.
Desde que Donald Trump retornou à Casa Branca, em janeiro, ele se aproximou da Rússia de Vladimir Putin. Como parte de sua agenda para pôr fim à guerra, o republicano abriu negociações com o Kremlin sem incluir ucranianos e europeus.
Situação da guerra

Antes do Carnaval, Trump e Zelensky se reuniram na Casa Branca para assinar o acordo mineral, mas os dois se desentenderam sobre o papel da Rússia no conflito e bateram boca no Salão Oval. Após a reunião, ele suspendeu a ajuda militar e parou de compartilhar dados de inteligência com Kiev.
Nos últimos dias, já sem essas informações, a Ucrânia sofreu pesados ataques russos dentro do país e na área que ocupa em Kursk, dentro da Rússia.
Enquanto isso, no front de batalha, forças russas estão tentando cruzar a fronteira e se firmar na província ucraniana de Sumy, à medida que avançam em uma contraofensiva com o objetivo de eliminar a última posição de Kiev na região russa de Kursk.
Andrei Demchenko, porta-voz da guarda de fronteira do Estado ucraniano, disse que as forças russas estavam tentando avançar em torno da aldeia ucraniana de Novenke e cortar as linhas de abastecimento.
Na arena diplomática, Zelensky ainda tenta reatar os laços com Trump. O líder ucraniano acrescentou que a Ucrânia busca "a paz desde o primeiro segundo da guerra".
A revista britânica The Economist ponderou, no entanto, que a Ucrânia, provavelmente, não aceitará nenhum acordo que limite sua capacidade de rearmamento, que reconheça os territórios ocupados como parte da Rússia ou que interfira na política interna ucraniana.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.